sexta-feira, 4 de março de 2011

Estação Macumbete 1

Frequento um candomblé na Baixada Fluminense desde o ano 2000.
É um lugar maneiríssimo, cheio de gente boa e lá fiz algumas amizades sem interesses nem disputas que até hoje guardo comigo em meio a esta escassez de seres humanos dignos deste nome.
Desde então venho gravando cenas nas animadas festas que se sucedem durante o ano, ora com celular, ora com câmeras portáteis digitais, o que tiver em mãos, daí a variedade do resultado visual. 
São ocasiões de grande celebração e comunhão daquelas tribos da Baixada e de pessoas que fazem ali seu point social e de lazer. 
Já tentei organizar uma cronologia destas festas, de Janeiro a Dezembro, tive planos de entrevistar os membros e os responsáveis daquela comunidade, esclarecer  alguns dogmas, ritos, a linguagem, estudar os ritmos gostosíssimos, dá vontade de dançar, muitas vezes os registros resultam carregados desta ginga, mas tudo se desfaz nas voltas de alguns parafusos do meu desejo.
Já postei algumas cenas no You Tube quando lá organizava uma conta pessoal, mas houve grande rebuliço na roça quando alguns filhos de santo daquela casa se revoltaram ao ver expostas suas participações sem que eu tivesse seus consentimentos para que assim o fizesse. Alguns compromissos profissionais do mundo laico impediam que eles fossem vistos nesta atividade.
A verdade é que em plena Era de Aquário, século 21, ainda nos deparamos com estas eternas guerras santas e estes preconceitos que muitas vezes ceifam vidas, empreendimentos, talentos, projetos e fomentam as hipocrisias. Foi o motivo pelo qual deixei de alimentar aquele endereço, acatando os protestos. 
Agora com a resolução de manter este blog, de cuja existência ninguém se dá conta, e assim espero que continue 
- não estou aqui em busca de auto-promoção ou no intuito de ganhar dinheiro,  é uma ferramenta  para registro de memórias pessoais antes que o Dr. Alemão se aproxime e que em outras praias afundariam - 
resolvi publicar estas cenas novamente e em gotas homeopáticas, antes que se percam na geléia geral em que se transformaram minhas sinapses, meus arquivos e minhas gavetas.
Esta aí uma festa de Erês, crianças que tanto de lá quanto de cá são  minhas muito queridas; mas quem se divertiu mesmo naquele dia foram os Exus, outros velhos amigos.








Nenhum comentário:

Postar um comentário

comente aqui