sábado, 6 de outubro de 2012

Festival do Rio 2012 - B: Post Tenebras Lux e Bestiário






POST TENEBRAS LUX (“Post Tenebras Lux”, Carlos Reygadas, Mexico/França/Holanda/Alemanha, 2012)

Animado por um prêmio de melhor direção ganho em Cannes 2012, e com uma expectativa maior do que a de costume devido à magistral obra precedente de Carlos Reygadas, LUZ SILENCIOSA (“Stellet Licht, (Mexico/Holanda/Alemanha/França, 2007) lá fui eu correndo para o cinema assistir este “Post Tenebras Lux”. Confieso que bebi quando as primeiras imagens apareceram no telão - ou pelo menos assim me senti. Aquela lente caleidoscópica, de imagens borradas e multiplicadas nas bordas me deu a impressão de estar presenciando mais uma gafe da organização do Festival do Rio em meio a várias outras que testemunhei nesta edição: Atrasos, péssima qualidade de projeção digital em alguns filmes importantes, interrupções da projeção, cancelamento de filmes, discursos prolixos e reiterativos tipo professor Simon Wajntraub.
O cinema tem dessas coisas, surpreende, e às vezes converte-se numa armadilha onde o espectador emaranha-se sem se dar conta da forma traiçoeira em que a coisa foi orquestrada. Em TABU (“Tabu”, de Miguel Gomes, Portugal/ Brasil/França/ Alemanha, 2012), por exemplo, grande parte da plateia apupou várias sequências à primeira vista emudecidas, sem se dar conta que o som ambiente ainda perpassava apesar dos atores continuarem a dialogar sem que suas vozes fossem ouvidas. Alguém imprecou em voz alta contra o “defeito” na banda sonora. 
Confesso também que exulto quando caio numa armadilha destas, desde que me torne presa de um evento em que suas principais qualidades sejam a inteireza, a fatura diferenciada, a pesquisa relevante e acima de tudo quando me conscientizo de estar me deleitando com uma obra de arte em todas suas inerentes responsabilidades, habilidades e fundamentos que seu enunciado apresenta e desenvolve. 
Carlos Reygadas neste filme nos traz um componente de atitude tão diverso e que constitui um peso tão preponderante na apreciação do todo, que muitas vezes algumas derrapadas gramaticais, pontas soltas e cenas aparentemente desconexas acabam perfazendo uma unidade de exotismo tão estranha quanto vital. Faz a proeza de ostentar um perfil singular na estética cinematografia contemporânea, longe de qualquer gabarito conhecido, assim com nos deixa perplexos com a simplicidade com que flagra de forma à vezes documental as interpretações de seus atores em sua maioria não profissionais, das crianças envolvidas, e principalmente os animais que adornam toda a trama de forma pacífica e muitas vezes conjuntural. A sequência inicial, por exemplo, o sonho da adorável menina, um plano extensíssimo que vai do entardecer de um espetacular céu cor de rosa até a noite, em meio a vacas, cachorros, aos charcos que a chuva deixou e do prenúncio da tempestade que desabará, esta sequência tem uma magia que se propaga pelo restante do filme, uma atmosfera onírica tanto da forma quanto do conteúdo que provoca uma sensação de estranhamento pela invasão do mundo “real”, vítima da mesma gramática que nos embaralha. 
O protagonista, se é que podemos chamá-lo assim, é um arquiteto “new age”, um homem que resolve morar na montanha com sua mulher, dois filhos e cachorros. A casa é excelente apesar de nunca a vermos inteira. E como tudo que se insinua neste filme, é alternativa. Alternativa como os processos arquitetônicos construtivos  algumas vezes aludidos, como a forma em que os planos e sequências se amalgamam nesta obra que opta por assumir o desconcerto como seu cavalo de batalha, alternativa como a opção do personagem de abandonar a vida na cidade para ver seus  filhos crescendo em contato direto com a natureza. 
Mas existe um componente inerente a todo ser humano, uma velha história de todos sabida e repisada: Onde quer que vá, o homem carrega consigo aquela silhueta vermelha maligna que adentra seus domínios sem pedir licença, senhora de tudo que rodeia suas ações e balizadora de seus instintos primitivos que teimam em conspurcar a paz, o amor, a solidariedade e a preservação do meio ambiente. A prefiguração deste ser diabólico, uma cena de animação, é uma das grandes surpresas com que Carlos Reygadas nos provoca. O público muitas vezes ri desta aparição, mesmo recém-saído do passaporte prévio de um sonho crepuscular. 
É aí que a realidade começa a se diluir. Dissolve-se na formulação panteísta de algumas crenças e ritos próprios de parte da vasta cultura mexicana. Essas diferenças sofrem todos os processos de desagregação e ameaças ilustrados por exemplo com o personagem mandante desmatador, que jura a irmã de morte por ela acreditar que árvores devem ser preservadas por conversarem e fazerem amor umas com as outras. A realidade mistura-se também ao caos afetivo do hoem viciado em sexo virtuale que vai procurar ajuda na comunidade dos AA já devidamente assentada nas montanhas (a falta de perspectivas, de trabalho e meios de subsistência de lugares e sociedades distantes e sem perspectivas muitas vezes lançam estas comunidades no alcoolismo e consumo de drogas ilícitas).  
A realidade também implode na incursão deslocada do casal protagonista em um fim de semana numa casa de sexo onde as salas são sintomaticamente definidas pelos grandes nomes da cultura (Hegel, Duchamp). 
A vida retratada confunde-se no vai-e-vem da cronologia sem aviso prévio, sem pedido de licença ou motivo para tal, apresentando-se ora num futuro imediato, ora evocando um passado imemorial habitado por entidades anímicas que se imiscuem onde tudo viceja. O inferno está a um palmo de distância de cada árvore. A especulação e a ganância, o roubo e a degeneração, a culpa e o assassinato andam de mãos dadas no paraíso. 
Post Tenebras Lux, a luz que vem depois das trevas, é uma tentativa de vencer a força do mal que habita a alma humana. E uma vez logrado este intento, a vida sobre a terra e a convivência dos homens com a natureza receberá novamente a bênção utópica da chuva purificadora que amealhará a paz no universo. Em grande parte do filme a ação é conduzida pelo personagem Sete, desgarrado, ex-viciado, ex-assassino, desacreditado da solidariedade e das relações sociais, que busca no AA alguma chance de recuperação. O arquiteto, para a sua perdição, o toma como empregado: Sete se transforma na encarnação do mal. Tenta assassinar o patrão ao ser flagrado roubando e quando confrontado com o estoicismo deste, com sua bondade, com a evidência de como atuou em seus últimos dias para recompor e dar uma nova chance à sua família abandonada, o componente maligno de Sete sofre um golpe fatal levando-o à autodestruição numa cena inenarrável. 
Este filme, além de deuses e demônios, é habitado por verdadeiros exemplares da cultura e da vida alternativa de forma bastante documental. São inúmeras as “figuraças” que marcam ponto em diversas sequências, com uma desenvoltura de fazer inveja ao mais desinibido dos atores profissionais. Esta habilidade de tirar proveito desses temperamentos e inserí-los como elementos constituintes de uma cultura bicho-grilo setentista que nunca arrefeceu, com seus rituais, a “mota”, a “coca” - elementos de uma vivência dedicada ao autoconhecimento, ao convívio na paz e na preservação da natureza – talvez tenha sido determinante na hora do júri em Cannes conceder o prêmio de melhor direção a Carlos Reygadas. E também pela sua coragem, despojamento e seu sentido diferenciado de agrupamento, tanto no que se refere ao time que joga com a finalidade de conseguir um tento, quanto à definição da comunidade dos homens. 
Este não é o tipo de filme para ser gostado ou deixar de ser, mas experimentado como antídoto ao veneno gramatical embotador e às fórmulas mercenárias do cinema - um colírio que nos fará perceber novas cores e universos. Alucinógeno? Merece mais respeito pela sua coragem do que admiração pelo que logrou edificar .





BESTIÁRIO (“Bestiaire” de Denis Côté, Canadá/França, 2012)


Tenho um amigo, um gato amarelo residente na biblioteca municipal da minha rua, uma charmosa casa art deco de Warchavchik tombada pelo patrimônio, que ao ver-me passar chamou-me e languidamente cheio de charme disse: “Hoje é dia de São Francisco de Assis; trouxe algum presente para mim?”. Estaquei de repentina surpresa e, como de outras vezes que nos encontramos, apliquei-lhe uma poderosa massagem, aprendida em longos anos de convivência com felinos de todos os tipos, humanos inclusive. Depois de algum tempo de esfregação, durante o qual ele se virava, rebolava, oferecia-se e olhava-me com evidente satisfação eu levantei e disse: “Preciso ir à luta”. Ficou decepcionado e quase chorou. “Quer mais?”, perguntei. Ele simplesmente miou aquiescendo. Pensei em São Francisco e decidi mandar minhas obrigações às favas. Só me retirei quando minhas mãos, os joelhos dobrados e as costas curvadas começaram a reclamar, além do olhar desconfiado com que o segurança nos olhava. Eu disse “Amigo, para mim não dá mais. Agora preciso ir realmente”. Ele virou-se e caminhou sestrosamente e sem mais delongas para o interior daquela magnífica construção. 

Se eu demorasse a tomar esta decisão perderia a sessão do filme “Bestiário” para a qual havia comprado ingresso antecipado, mas certamente não perderia a amizade ambígua e totalmente conspícua daquela amada criatura. Como todos sabem sou mais bicho do que gente. E com muito orgulho. Nunca me senti muito à vontade em sociedade e tenho pelos seres humanos tantas reservas e diferenças cruciais que cheguei numa altura da vida em que insistir nesta comédia tornou-se totalmente dispensável. Tornei-me meu próprio lobo, na certeza de que minhas vísceras servirão de repasto à minha própria avidez. 

Tenho por minha imagem refletida num espelho o mesmo sentimento inquietante de quando assisto o registro de um animal no telão do cinema, uma mistura de observação crítica despertada pela certeza de que são incapazes de fingir, ou “atuar” e a certeza de que ali existe alguma manipulação humana para que estas criaturas aparentemente indefesas rendam involuntariamente uma proposição fora do alcance (ou não?) de seu “entendimento”. 

Os animais são historicamente vítimas do racionalismo humano, uma espécie de status programático que levou estas criaturas a se sentirem superiores às demais. E revidam com sua mudez, uma autêntica forma de protesto ao tornar suas subjetividades fora do alcance da compreensão humana. Em geral fomos educados a olhar os animais do ponto de vista de um explorador ou um curioso, e raríssimas vezes como um observador do que as idiossincrasias de suas naturezas têm a nos dizer sobre nós mesmos. 

A imagem do animal é antes de tudo um enigma que nos coloca de frente à nossa disponibilidade de conviver com as diferenças. A imagem do animal tem sido recreativa, científica, consumista, execrada, mas poucas vezes alguém se postou ante eles para tentar entender ou edificar um status moral para suas existências. 

A primeira sequência do filme “Bestário” é bastante emblemática neste sentido: Nos supercloses de algumas pessoas que evoluem para a abertura gradual da obturação da lente, descobrimos que ali se passa uma aula de desenho de observação cujo objeto é um cervo empalhado. Aprende-se a olhar o mundo com a observação do animal enquanto objeto. O que está sendo retratado é uma parte de nosso conhecimento gradual adquirido e outra parte de nós mesmos enquanto afetividade. Ninguém ali está preocupado com o sofrimento ou o desrespeito infligidos aos bichos para edificá-los como um simulacro de si mesmos, taxidermizados. Alguém levantará a voz afirmando que este é um processo de preservação e de memória, uma vez que a presença física dos animais diminui a cada dia com a formidável proliferação de suas representações no mundo moderno. Esta sequência ilustra o nascimento do fenômeno artístico através da morte. É um comentário bastante eficaz que situa homem e bicho em esferas opostas e comungando o mesmo ideal através da arte. O detalhamento dos trabalhos na oficina de taxidermia é como uma jornada num necrotério. O ser submetido a todos aqueles processos para torná-lo um boneco talvez seja o mesmo, após tantos milênios, que os antigos egípcios faziam com as múmias de seus altos dignatários. Em face da morte, todos somos iguais nesta noite, perecíveis e voltaremos ao pó. 

O cotidiano do Safari Parque de Montreal, registrado pela câmeras nem sempre convenientemente enquadradas de Denis Côté (o comportamento aleatório de cada animal exigiria um tratamento especial e uma distância focal para cada um deles, algo impossível quando se quer registrá-los em suas verdadeiras condições de vida nem sempre adequadas a um staff cinematográfico) nos revela o que de dor e de delícia a vida selvagem tem a usufruir e a nos oferecer. O cativeiro a que estão submetidos para exames regulares, tratamentos, etc. evoca as condições de maus tratos espaciais e psicológicos sofridos por homens encarcerados muitas vezes por não terem seus direitos às diferenças do comportamento social codificado devidamente observados. 

O plano picado sobre o tremor do couro de um jovem cervo enclausurado constata o pânico a que está submetido pela propagação dos ruídos de portas e alambrados metálicos batidos por funcionários ou escoiceados por outros animais enfurecidos com o pouco espaço destinado à suas compleições físicas e suas liberdades solapadas. A manada dos bois que de repente se surpreende com a abertura do portão de sua jaula recusa-se a avançar em direção à câmera colocada no caminho de sua liberdade, flagrantemente constrangidos e ameaçados pelo dispositivo. A ira dos tigres avançando sobre a porta da jaula, o desespero das zebras confinadas num beco sem saída e a abertura da única asa de um pavão amputado (tem um espelho bastante sintomático dentro da gaiola – manipulação?) constituem um conjunto de imagens de uma beleza plástica incomensurável, fornecem material para inúmeras divagações filosóficas e acima de tudo nos alertam para a brutalidade inerente à manipulação da vida frente aos interesses do comércio das espécies. O casal de orangotangos que cata suas pulgas beijando-se carinhosamente enlevados em contrapartida com a maneira desleixada com que uma jovem veste a fantasia animal para recrear o público infantil nos coloca a questão da falsidade e do autêntico entre as espécies.

O que aprendemos observando os animais em suas condições originais de meio ambiente? Que somos intrusos naquela paisagem? Que temos muito a aprender com sua abnegação? Muitas destas perguntas são feitas sem palavras neste filme só de imagens. Quando alguém fala é totalmente irrelevante - e tão pouco - para o todo, mas quando a veterinária diz algumas palavras de carinho a uma hiena brutalmente espremida num engradado para não oferecer nenhum tipo de perigo à sua aproximação, temos uma certeza de que para além deste insensato mundo ainda existe um coração.
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Festival do Rio 2012 - A: A Culpa é do Filho, Elena, Sem Proteção, Great Expactations e Depois de Lucia


Decidi que este ano não faria resenhas dos filmes assistidos no Festival do Rio um pouco por estar muito ocupado tramando a explosão do Cristo Redentor, o bombardeio do Projac, o envenenamento do cachorro do vizinho, a abolição da cultura baiana, o assassinato de Luis Ignacio da Silva e o estupro de Cauã Raymond, fatores que, ao contrário de 2011 - quando tentava definir um tipo de antropofagia cultural a partir de dados pessoais confrontados ao trabalho intelectual alheio - demandam um dispêndio muito maior de concentração, tempo e energia.  Até que ao final da projeção de “Depois de Lucia” (Después de Lucía, Michel Franco, Mexico, 2012) senti que não poderia deixar passar impunemente aquela experiência. Um tanto por não ter encontrado nos sete dias iniciais desta maratona - não sei se por falta de sorte, de disponibilidade de tempo ou de critérios de escolha - um filme que tivesse me mobilizado desta forma. Outro tanto para gáudio dos meus mais de dois mil leitores de várias partes do mundo, no Brasil em sua maioria uma horda de ressentidos, invejosos, abrigados na escuridão de suas identidades na internet, que vasculham minha atividade particular para satisfação de seus egos e vaidades injustificados, injuriados por meus comentários a respeito de suas pobrezas intelectuais, investimentos artísticos equivocados, opiniões retrógradas travestidas de inovação, o tamanho de suas pirocas minúsculas ou para se precaverem contra o fim do mundo.

A saber:

1 - A CULPA É DO FILHO (“È Stato Il Figlio”, Danieli Cipri, Italia/França, 2012) 
                                                
Um festival de caricaturas perdidas numa absoluta falta de timing no registro do cotidiano de uma família pobre sob as leis onipresentes da Mafia impede esta tragicomédia de arrancar um sorriso que seja das platéais impassíveis com sua falta de rumo.   Daniele Cipri foi o diretor de fotografia de “Vincere” de Marco Bellochio, Itália, 2009 - um amontoado de cacoetes operísticos como veículo de propaganda retratando os desmandos fascistas de Mussolini na área pessoal e afetiva. A redundância de imagens “pictóricas”, de “composição”, gritantemente impingidas ao espectador, num virtuosismo exibicionista gratuito, aliados à mão pesada na direção de atores e na decupagem cinematográfica forçosamente elaborada, são os erros que Daniele Cipri, afora sua falta de experiência como diretor (é seu primeiro filme), repete sem parcimônia. Aqui temos novamente os enquadramentos caprichados, a fotografia de saturação estudada, elementos a que se ativeram com extrema atenção e cuidado, esquecendo-se que ali havia um material dramatúrgico a ser tratado prioritariamente em sua complexa mescla de tragédia e comédia que nunca se equilibram ou sequer se resolvem para qualquer dos lados. É notório que a parte cômica saiu prejudicada e isto é típico de diretores que se aventuram em terrenos que não são a sua praia, e a de Danieli Cipri parece não ser exatamente o senso de humor. Não conheço o romance original, mas tenho a impressão que a adaptação concentrou a ação em sequências-chave, que funcionaram como verdadeiros deus-ex-machina, como na sequência final, a única em que um cuidado com o timing não resvalou na pasmaceira geral, em que pese a contínua caracterização exagerada tanto física quanto interpretativa dos atores. Aqui o que se procura evidenciar é aquilo que infestou o inferno de cineastas dotados de boas intenções: A tragédia social da escravização histórica do homem ao dinheiro e os mecanismos que criaram para sua utilização e manipulação como instrumentos de poder, de influência e da desagregação familiar. Sobram imagens clichês (a grua que sobe acompanhando o personagem na estrada deserta), e sente-se o peso da tradição pictórica renascentista italiana, do quadro fixo, do retrato, da alegoria, que campeiam  ineficazes, completamente perdidas  na transposição para as imagens em movimento. O plano metafórico final, totalmente desnecessário, é a mais perfeita tradução do todo, assim como o discurso involuntariamente cômico em tela cheia de Mussolini em “Vincere” era para aquele.  Das cinco estrelas, duas.



2 – ELENA (“Elena”, Andrey Szviagintsev, Russia, 2011)

Uma boa amostra de como recursos narrativos simples controem uma narrativa efetivamente dramática sem apelos a elementos técnicos exibicionistas que desviam a atenção da história contada. A relação familiar é o principal elemento da evolução da trama. É novamente a tragédia da escravidão ao capital em face de dificuldades e desajustes sociais. Elena, a esposa dedicada e fiel transforma-se na mulher que, para manter o bem estar de sua família fora do casamento, é capaz da realização de um crime. A organização social da Rússia contemporânea, a poucas décadas da realidade de mercado, da necessidade individual de subsistência fora da esfera estatal e a consequente falta de preparo das atuais gerações (e a inadaptação das mais velhas), são retratados de forma bastante eficaz neste microcosmo familiar que o Sr. Svziagintsev nos propõe.  Nota dez para a ambientação do apartamento chique, assim como para o caos deliberado e circunstancial do outro, um contraste que muito nos informa sobre a situação de uma sociedade em processo de transformação. E nota vinte para a sóbria interpretação de Nadezhda Markina, uma antítese do glamour industrial cinematográfico em sua beleza madura e seu temperamento circunspecto, atributos que nos surpreendem quando da tomada de decisão do personagem. Talvez o encanto deste pequeno filme resida justamente no despojamento, na despretensão, na simplicidade que convém aos deuses e aos poetas.  Quatro das cinco estrelas.

3 – SEM PROTEÇÃO (“The Company You Keep”, Robert Redford, USA, 2012) 

É um daqueles filmes que aparentemente se diferenciam da cartilha hollywoodiana: Um elenco de velhas estrelas ainda fulgurantes que valem cada centavo do ingresso, e uma história que enfia o dedo na política de segurança americana praticada pela CIA (em tudo idêntica ao que os países do terceiro mundo sofreram na época de suas ditaduras através do know how exportado pelos Estados Unidos nos anos 60/70). Mas como é de voz corrente, Hollywood tem a varinha mágica dos milhões de dólares que absorvem e transformam o trabalho sujo do sistema americano (perseguições, torturas, mortes, violações de direitos civis, desrespeito aos direitos humanos, arbitrariedade, etc.) em filmes que aparentemente purgam suas culpas com lágrimas crocodilo. Neste caso há um filme paradigmático, “Corações e Mentes” (Hearts and Minds, 1974) vencedor do Oscar, que é uma pasteurização da brutalidade americana no Vietnã, servida em frames edulcorados para o consumo de uma nação desacreditada na política internacional (e não só naquela época).  Os protestos contra a guerra do Vietnã e os raids nos campus das universidades dos anos 60 que produziram mortos e feridos numa continuação da guerra dentro da própria casa, facultou a formação de organizações radicais como os saudosos Black Panthers e o Weather Report, pano de fundo desta trama. Este tipo de apropriação não se verifica só no cinema: Weather Report é também o nome de uma banda de jazz rock que fez algum sucesso nos anos 70 (se não me engano um dos seus integrantes era brasileiro) abrindo caminho para o esvaziamento da  da história das resistências através de títulos ilustrativos que várias bandas adotaram em sua esteira. Robert Redford cavou nas dobras das rugas de Julie Christie, Nick Nolte e da minha favorita Susan Sarandon - além das suas próprias (sua foto dos tempos de Butch Cassidy que aparece em cena provoca um verdadeiro choque cultural) – a textura que permeia o desenvolvimento de uma espécie de thriller eivado de tintas pretensamente sociais, e que buscam no repertório político somente um instrumento para a edificação de uma dramaturgia convencional que em última instância, e paradoxalmente, ratifica as instituições conservadoras da família, do patriotismo e do herói bom moço que se sacrifica para não colocar em risco a vida de antigos e encarniçados companheiros de luta, o traço mais relevante do seu caráter.  O tema passional inserido a forceps resulta inconsistente, com o único objetivo de salvar a pele do mocinho nos estertores finais por uma clandestina ex-guerrilheira e amante, cascuda do tráfico de drogas, calejada das vicissitudes da vida de foragida, numa repentina e mal desenvolvida reviravolta destinada a não prejudicar a criancinha que aguarda desconsolada a volta do papai.  Três estrelas: Julie, Susan e Nick.





4 – GREAT EXPECTATIONS (“Great Expectations”, Mike Newel, Inglaterra, 2012) 

Nova adaptação daquele livro que fomos obrigados a ler na adolescência: Resultou num filme pomposo, careta, e com um roteiro muito confuso.  Helena Bonham-Carter, longe das garras do marido, oferece uma interpretação artificialmente empostada tal como toda a dimensão física que a rodeia. Todo o filme tem um pé no teatro e não consegue se desvencilhar das amarras tradicionais das narrativas baseadas em livros muito famosos que ora caem na subserviência, ora no equívoco. A reconstituição da Londres da época evoca boa parte do que os cronistas e o próprio autor retratam como um amontoado de lama, detritos, poluição e mau cheiro. As características dos personagens antagonistas são de tal sorte maniqueístas, que em alguns momentos nos perguntamos se não estamos assistindo a uma peça infantil de má qualidade. Somente a ótima interpretação e adequada caracterização de Ralph Fiennes nos salva da mesmice. Assim como a de Jason Flemyng, o cunhado. E afora as caretas, também o trabalho coadjuvante de Ralph Ineson no papel de Seargent, o secretário do advogado, bastante divertido. Duas estrelas.



5 – DEPOIS DE LUCIA (“Después de Lucía”, Michel Franco, Mexico, 2012) 

Poucos filmes me fizeram sentir na pele o desejo de vingança avant la lettre que seu personagem principal (o pai - e não a filha como parece mas não é) vai ser tomado ao final da narrativa.  Trata-se de um personagem constantemente obscurecido pelas atividades da filha que são a maior parte do que é exibido na tela. Este pai ergue-se aos poucos da dor da perda e do sentimento de culpa pela morte acidental de sua mulher.  É completamente inesperado que uma história que a princípio mal se explicita - ou que o faz tão economicamente provocando-nos a sensação de que pouco ou nada está acontecendo - se converta num emaranhado de preconceitos, machismo, má educação, subserviência, desamparo, irresponsabilidades e ignorância dos direitos inerentes ao indivíduo por uma juventude subjugada aos desmandos do consumismo e escravizada às redes sociais virtuais. Todos esses elementos tecem paulatinamente uma teia que se agiganta nesta obra ímpar orquestrada por Michel Franco.  Não há nenhuma música que sustente sua evolução e seus cortes são tão secos como uma faca afiada que nos penetra a cada vez, atiçando-nos um incômodo desejo de inteferir na trama, que nos prostra na cadeira e não dá chance e nenhuma salvação. Os vários planos fotografados no interior dos veículos, colocam-nos sentados no banco de trás, trazendo-nos para dentro deste filme que pouco a pouco nos toma de assombro e participação, de tal modo que esperamos ansiosos e sem perder o interesse durante mais de dois minutos de um plano fixo focado nas estripulias de uma galera aborrescente numa festinha particular - linguajar vazio, comportamento torpe, tudo absolutamente irrelevante - para finalmente termos a informação do que está acontecendo com o personagem trancado no banheiro que nossa expectativa não abandona nem a pau.  Sua ausência é tão imperiosa que justifica tantas bobagens impingidas ao espectador. Este tratamento ostensivamente escamoteador da personagem principal, sem que jamais percamos o interesse naquilo que não está sendo mostrado, é uma proeza resultante de um conhecimento profundo da carpintaria dramatúrgica e um estrito sentido de timing capazes de investir e sustentar tanto tempo numa jogada tão arriscada.  Todas as sequências são investidas deste sentido de somatório implacável, cada uma com seu lugar e sua importância capital, alcançando tal nível de exacerbação do absurdo, principalmente por conta de sua absoluta falta de atrativos técnicos e cacoetes narrativos de identificação imediata, que justamente por isso nos arrebata pela sensação de pertencimento, de estarmos participando daquele mundo e daquela trama, apartados somente por alguns frames de distância, numa catarse sem rodeios.  Destaque para a beleza singela e o talento da moçoila Tessa Ia e a evolução do desenho do personagem do pai interpretado por Hernán Mendoza - da depressão causada pela perda de sua mulher, passando pela inadaptação à sua nova vida profissional em outra cidade, até à odisséia pela busca da filha desaparecida hipoteticamente no mar, este mar que abrigará o seu projeto de vingança e nos desafogará ao final do filme..  Todas as estrelas.

sábado, 28 de abril de 2012

Censura

Hoje, 28 de Abril de 2012, saiu uma nota na Folha de S. Paulo a respeito da edição de um livro-coletânea de artigos do saudoso jornalista Paulo Francis.
Fiz um comentário aparentemente acolhido mas que não apareceu no espaço reservado para ele.
Depois, comentei novamente reclamando, posto que outros leitores assim também o fizeram, considerando que estas omissões configuram um posicionamento politico daquele jornal contrariado com o teor de determinados textos.
Meu comentário era a respeito da falta de um modelo de articulista corajoso, culto, verdadeiramente polêmico e apaixonado como era Paulo Francis para esta geração de leitores agora submetidos às inocuidades de, por exemplo, Arnaldo Jabor, tipo de profissional de idéias obscuras, demodée e de curto alcance qual o famoso tamanho de sua minúscula piroca, lacaio refestelado no berço esplêndido da vassalagem da jagunça
família Marinho, enquanto aquele foi covardemente assassinado pela Petrobrás, a quem chamava Petrossauro denunciando suas maracutaias, conluios e conchavos, sempre batendo com seu poderoso caralhão na mesa.
Rapidamente a matéria saiu da página principal da Folha, apesar de ser um lançamento de uma editora da própria casa.
Esta mordaça é uma constante na guerra dos interesses editoriais da imprensa brasileira às voltas com os mesmos conchavos, compadrios, etc. e constituem uma deslavada censura que,  aplicada na mão inversa por poderes leoninos, provoca uma balbúrdia tal que os fazem, paradoxalmente, parecer baluartes da liberdade de expressão.
Logicamente não é o que acontece.
Este tipo de acolhimento ou liberdade editorial começa quando pode-se contribuir com a bajulação de praxe e termina com o dízimo habitual.
Por conta disso me dou ao trabalho de publicar aqui partes de minha timeline (comentários publicados) no jornal Estado de São Paulo (que teve a dignidade de publicá-la na web) a respeito de diversos assuntos que no decorrer do tempo sofreram muitas mudanças ao sabor dos ventos e dos acontecimentos que a vida real tão generosamente nos oferece em seu vai-e-vem diário.
Aprendi com aquele cantor a ostentar orgulhosamente a minha metamorfose ambulante e embora muitas vezes pense diferentemente daquilo que foi publicado, não movo uma vírgula sequer em função dessas mudanças, posto que estas pontuações configuram marcas que o tempo opera na minha estrada.

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Hoje, 3 e Maio de 2012, deu no Estadão:

Censura na internet 'fere liberdade de imprensa', diz Anistia

Relatório da organização diz que repressão a jornalistas e blogueiros 'enfraquece democracias' em todo o mundo, 03 de maio de 2012 | 5h 42

No Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, a organização de direitos humanos Anistia Internacional alerta para a repressão de jornalistas e blogueiros que usam a internet para veicular suas reportagens para milhões de leitores, virtualmente sem fronteiras.
As proibições em sites de busca, a aprovação de leis restritivas à liberdade de expressão online e até os custos proibitivos de uso da rede, todas são ações que enfraquecem a democracia nos países, argumentou a organização.
Nas Américas, a Anistia destaca principalmente a repressão em Cuba e no México, onde os jornalistas são cerceados seja por oposição ao Estado (Cuba), seja por denunciar esquemas de corrupção e tráfico de drogas (México).
Recentemente, o Brasil também tem chamado a atenção das organizações de direitos humanos por causa da morte ou repressão de jornalistas. Apenas neste ano, quatro jornalistas foram assassinados no país.
Fora da internet, as Américas têm algumas das regiões mais hostis para a prática do jornalismo independente.
Brasil
Na opinião da Anistia, situação no norte do México talvez seja a mais grave, mas em Honduras e na Colômbia os profissionais que buscam desvendar esquemas de corrupção ou crime organizado também são perseguidos.
No Brasil, no início deste ano, a organização Repórteres Sem Fronteiras rebaixou o país para a 99ª posição no seu ranking de 179 países sobre liberdade de imprensa - uma queda de 41 posições -, principalmente pelo "alto nível de violência que afetou os jornalistas em 2011".
Na internet, uma das situações mais lembradas é a da blogueira cubana Yoani Sánchez, que chegou a apelar para a presidente Dilma Rousseff, mas teve uma viagem ao Brasil negada pelas autoridades da ilha comunista - a 19ª viagem ao exterior rejeitada.
"Os Estados estão atacando os jornalistas e os ativistas na internet porque se dão conta de como estes indivíduos corajosos podem efetivamente usar a internet para desafiá-los", disse o diretor-sênior da Anistia para Legislação Internacional, Widney Brown.
"Precisamos fazer resistência a todo esforço dos governos de minar a liberdade de expressão."
Primavera Árabe
Em várias regiões do planeta, incluindo países mais pobres ou emergentes, o acosso de jornalistas é comum, ressaltou a Anistia em sua avaliação geral da liberdade de imprensa.
A chamada Primavera Árabe - levantes populares nos países do Oriente Médio e Norte da África nos últimos 15 meses - abriu "o espaço para a expressão da mídia" em países como a Tunísia ou a Líbia - entretanto, restrições à liberdade de imprensa continuam a ser "disseminadas", disse a ONG.
Na Tunísia, os jornalistas que criticam o novo governo são acusados de perturbar a ordem ou contrariar a moral pública. No Egito, apesar da queda do repressivo regime de três décadas de Hosni Mubarak, jornalistas e blogueiros acusam a junta militar que governo o país de prender e interrogar profissionais da imprensa.
No Irã, os internautas passaram a ser ameaçados por uma nova força de controle da internet, a polícia cibernética.
Praticar o jornalismo em regiões envolvidas em tensões e conflitos também é um risco para os profissionais. No Paquistão, jornalistas que incomodam a milícia Talebã local são acossados. Só no ano passado, 15 jornalistas foram mortos no país.
Na Somália, em grande parte controlada pelo grupo extremista Al-Shabaab, a situação para jornalistas é tão perigosa que muitos preferem o exílio. Desde 2007, pelo menos 27 jornalistas foram mortos no país, três deles, alvos específicos de ataques na capital, Mogadishu, nos últimos seis meses.
Já nos regimes autocratas da Europa do leste e Eurásia, os sucessores do antigo bloco soviético reforçaram seu poder sobre os governos, nas palavras da Anistia, "asfixiando os dissidentes, amordaçando as críticas e reprimindo os protestos".
"Não foi um bom ano para a liberdade de expressão", afirmou a ONG.
'Criatividade'
O relatório também destacou a "criatividade" tanto de governos para reprimir a liberdade de imprensa como dos censurados para contornar as restrições.
Como exemplo do primeiro caso, a Anistia menciona o Sudão, que está a ponto de protagonizar o mais recente conflito da África com o recém-criado Sudão do Sul. As formas "criativas" includem a distorção no uso das leis para dificultar a atividade jornalística e multar os críticos.
Já do outro lado estão jornalistas e blogueiros chineses, que, para fugir da censura, também estão sendo obrigados a adotar formas criativas de atuação.
Em uma recente campanha a favor do advogado cego Chen Guangcheng, por exemplo, muitos apareceram na rede virtual usando óculos escuros, ou utilizaram uma foto de óculos escuros em seus perfis de sites sociais online.
No dia a dia, os usuários chineses - 513 milhões - são vistos como uma ameaça pelo regime comunista, um dos mais fechados do mundo.
Autores de artigos e reportagens políticas consideradas "sensíveis" pelo governo são "rotineiramente monitorados, interrogados e assediados pelas forças de segurança e, em alguns casos, desapareceram". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC. 
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Timelime de danilogo no Estadão

Chico Anysio (#chicoanysio)
Comentado em: Morre Chico Anysio
Humorista estava internado em estado delicado desde dezembro; ele tinha 80 anosdanilogo, 23 de Março de 2012 | 19h26:
Já vai tarde. E que venha buscar rapidamente todos estes dejetos globais que esvaziam e alienam a cultura brasileira, formandores da classe média mais feia, desajeitada e mais mal educada do planeta. Menos um.
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Cinema Brasileiro (#cinemabrasileiro)
Comentado em: 'Tropa de Elite 2' fica fora da disputa pelo Oscar danilogo, 18 de Janeiro de 2012 | 22h01:
Nenhum filme genuinamente brasileiro da safra recente interessa a platéias internacionais. São todos focados em pobrezas nacionais e daqui não dão um passo além de ratificar da anemia cultural a que foi submetida a população pela ditadura da burrice balizadora da educação por baixo, exercida pela tv globo e pelos folhetins do sec 19, ainda na ordem do dia neste Bananal  escravizado. Enquanto o audiovisual permanecer atrelado às leis de incentivo que exercem censura estética, moral e política através do empresariado (que sempre apoiou a ditadura), os pretensos "cineastas" continuarão a encher os bolsos a priori e arrotar mediocridades no telão depois. Não é de se admirar que não haja nenhum filme brasileiro relevante neste certame - que de resto é de uma indigência escandalosa . Não interessa ao mundo, e nem é fato relevante, se as milícias continuam infiltradas na polícia ou na justiça brasileira, isso todo mundo está empapuçado de saber - além daqueles que trafegam na aba desta cultura de bandidos institucionais. O que urge acontecer é, ao invés
de fazer cinema caça-níqueis dessa miséria, estes cidadãos precisam aprender a trabalhar efetivamente para erradicar esta cultura e não perpetuá-la como manancial dos seus filmes tortos .
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Comentado em: 'Nosso Lar' tem público de 1 milhão de espectadores 

danilogo, 8 de Setembro de 2010 | 22h28:
Apesar de cafona e cheio de clichês gramaticais e visuais "Nosso Lar" é um filme envolvente e cheio de boas intenções, este artigo que faz o quociente demográfico do inferno dobrar a cada dia... Fui assistir disposto a não gostar apesar de motivado pelo valor do batalhador ator Renato Prieto que nunca teve uma oportunidade decente de mostrar seu talento prodigioso. Se isto tivesse acontecido nos anos 70 quando ele ainda era um jovem belíssimo, sua passagem sobre a terra teria sido um outro enredo.
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Comentado em: Eduardo Paes tem alta no Rio após cirurgia danilogo, 9 de Agosto de 2010 | 19h46:
Tem certeza que isto não foi uma reposição de pregas?
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Comentado em: Acesso universal aos antirretrovirais mudou perfil do soropositivo, diz especialista                                                           danilogo, 22 de Julho de 2010 | 19h51:
De que adianta a pessoa tomar as drogas do coquetel e não ter acompanhamento social, ser moralmente assediada no trabalho, não ter acesso aos tratamentos que controlam os inúmeros efeitos colaterais destas drogas, inclusive danos psicológicos, e depender da boa (?) vontade do judiciário no momento que necessita de uma aposentadoria a fim de prover uma dieta decente e nutritiva em sua mesa? É muito fácil alardear a bandeira desta política rara na saúde pública deste país quando no final das contas são dados mentirosos de pesquisas viciadas. Alguém já se deu ao trabalho de investigar a organização e os métodos de controle dos cadastrados na distribuição destas drogas nos postos de saúde?
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Comentado em: Brasileiros sequenciam DNA humano completo danilogo, 11 de Julho de 2010 | 14h05:
Estes feitos são um legado para a humanidade, mas esta doença nacionalista (que em outras épocas e lugares -inclusive aqui mesmo - já custou muitas vidas) e esta doença infantilóide e colonizada de ficar bem na foto internacional (típica da midia e propagada na metalidade pobre da classe média brasileira) acabam por anular oque em tese seria um bem de todos. Esta cultura do exclusivismo só interessa à conta bancária escrota de um sistema pernicioso que põe de antemão em primeiro plano aquilo que deveria ser a decorrência de um talento ou uma virtuosidade científica .

Comentado em: Dilma discute mulheres na política com socialites do Rio                                                                                    danilogo, 10 de Julho de 2010 | 11h33:
Mas que coisa incrível, hein? Que informação relevante esta de que nunca uma mulher ocupou o cargo da presidência da república do Brasil! É mesmo? Não acredito! Finalmente as cabeças socialitizadas agora estão ocupadas com algo mais que as perucas e o vazio de praxe.
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Comentado em: Quer ser o leitor do 'Estadão' no júri de Gramado? 

danilogo, 9 de Julho de 2010 | 15h05:
...retificando: que não se deve desejar...
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Comentado em: Quer ser o leitor do 'Estadão' no júri de Gramado? danilogo, 9 de Julho de 2010 | 14h57:
Algo que não deve desejar nem ao pior inimigo é acompanhar uma maratona de cinema brasileiro (e afins).
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Comentado em: Dilma, pré-candidata - Brigona, ela não tem meias palavras                                                                                      danilogo, 21 de Junho de 2010 | 19h44:
É a linguagem que ela conheceu na época da ditadura, que combateu com tiros. Nunca conseguiu tirar esta prepotência de dentro de si. É como certas etnias que depois de vitimizadas se tornaram carrascas. Xô, fulana!
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Comentado em: Roberto Bolaño, gênio numa família de iletrados danilogo, 22 de Maio de 2010 | 13h33:
Por que aparece como sendo de "agência estado" o comentário que eu fiz sobre este post?
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Agencia Estado
Comentado em: Roberto Bolaño, gênio numa família de iletrados danilogo, 22 de Maio de 2010 | 2h26:
Em "Amuleto" quem se esconde no banheiro da universidade é uma imigrante chilena em Cidade do México, de profissão indefinida, vivendo de trabalhos ocasionais principalmente na universidade, freqüentadora das rodas literárias e amiga de seus principais expoentes e não um poeta conforme está escrito no Estadão. Percebe-se que o autor da matéria não leu os livros e ouviu o galo cantar em Barcelona, Juarez, quiçá em Paris ou Cidade do México. Esta personagem apareceu primeiro em "Detetives Selvagens" onde sua história é narrada em linhas mais gerais e se entrelaça com a de outros personagens que de variadas formas também se desenvolvem em livros diferentes de Roberto Bolaño, ampliando ou simplificando seus contextos e histórias. Em tempo, o movimento poético em "Detetives Selvagens" é Real-Visceralistas ou Visce-Realistas. Há que se perguntar de onde foi pescado estes infrarrealistas a quem o autor da matéria se refere.


Comentado em: Presença brasileira no Festival de Cannes 

danilogo, 12 de Maio de 2010 | 10h50:
Os filmes de Carlos Diegues são, em sua maioria insossos e desconchavados, na contra-mão de seus discursos cheios de empáfia. Suas entressafras criativas são evidentes e pergunta-se porque não bota a viola no saco e sai andando. Quem não se lembra do escandaloso apê na Vieira Souto que o erário público via Embrafilme o propiciou? Parece que agora, quando suas forças estão em declínio, apela para este projeto demagógico. É outro pegando carona nesta onda assistencialista que esconde muita grana por trás de intenções mascaradas. Se estes favelados fizerem do jeito que o mestre costuma fazer... vão dizer que é melhor doque se vender para o tráfico.
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Comentado em: Número de mortos pelas chuvas no Rio deve aumentar ao longo do dia                                                                   danilogo, 6 de Abril de 2010 | 10h27:
Os comentaristas desta matéria estão se aproveitando deste descaso crônico dos governos do Rio de Janeiro com a assoreação dos rios, contenção das encostas e aprimoramento dos serviços urbanos em geral para fazer proselitismio eleitoreiro contra o PT, esquecendo-se que seja lá quem for ganhar a presidência, estes males endêmicos, pelo menos nesta geração, não serão sanados e até mesmo cultivados muito mais agora, sob a chancela dos roubos e da ditadura do PT, que foi eleito na esperança de posicionar um último bastião da lisura e da probidade e deu no mensalão que o presidente deu. Depois dessa está tudo liberado para a anarquia e o abandono da população à sua própria sorte, desde que tenha devidamente contribuído com as taxas escorchantes praticadas para a manutenção desses serviços, mas que acabam enchendo os bolsos dos corruptos, seja lá de que partido forem.
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Comentado em: O instigante são os outros - Há 30 anos na vitrine das celebridades, Miguel Falabella usa experiência para criar série ambientada numa revista de fofocas                                                danilogo, 28 de Março de 2010 | 11h45:
Viado! Viado! Viado!
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Comentado em: Concorrente ao Oscar, 'Preciosa' é história de superação
danilogo, 13 de Fevereiro de 2010 | 10h57:                                       É realmente um bom filme, mas "Dançando no Escuro" de Lars von Trier ilustra melhor e em primeira mão o tipo dessa fuga empreendida por personagens em direção aos musicais, e "Aquário" de Andrea Arnold é menos enfeitado, eficaz e mais contemporâneo no tratamento do mesmo tema, uma jovem desajustada, submetida a um programa social do governo, maltratada pela mãe, carente de afeto, em busca da superação de suas carências e conflitos.
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Comentado em: 'Bim Bom' de João Gilberto ganha novas versões danilogo, 12 de Fevereiro de 2010 | 14h22:
Que coisinha pobre esta música; ainda bem que ela mesma se reconhece por não ter mais nada não, o que lhe confere a auto-mediocridade laureada. E dizer que isso é cultura! Faça-me o favor...aposentem esta múmia.
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Comentado em: STF deve analisar hoje habeas-corpus de Arruda danilogo, 12 de Fevereiro de 2010 | 10h56:
É necessário um pogrom político para varrer do mapa toda esta classe política escrota brasileira. Quando vão espetar a cabeça de José Sarney num poste? Aguardo ansiosamente.
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Comentado em: Quermesse multiestelar
Com Teletons ou aterrissagens hollywoodianas, celebridades tiram sua casquinha da tragédia no Haiti
danilogo, 31 de Janeiro de 2010 | 11h15:                                          E o viado Caetano e a macaca Gil? estão rezando pelo Haiti ou ainda contando os caraminguás que auferiram explorando a miséria daquela gente anos atrás?
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Comentado em: Tigres estão próximos de extinção, alerta ONG de preservação 

danilogo, 26 de Janeiro de 2010 | 10h15:
Primeiramente é necessário dizimar todos os americanos gordos, todos os italianos fanfarrões, todos os franceses metidos-a-besta, os ingleses escrotos e os brasileiros sangue-de-barata.
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Comentado em: Estrelas do cinema e da música se unem pelo Haiti danilogo, 24 de Janeiro de 2010 | 11h12:
Enquanto isso, aqui no Bananal, as múmias e os idiotinhas continuam olhando para o próprio umbigo (devastado) e contando seus caraminguás.
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Comentado em: Dilma adia legalização de terreiros de umbanda para evitar nova crise                                                                    danilogo, 21 de Janeiro de 2010 | 10h55:
Essa filha da puta é a cara de uma ex-amiga minha, e pelo visto, tão vigarista quanto.
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Comentado em: Bauhaus, a oficina da modernidade
Retrospectiva celebra os 90 anos de fundação da mais famosa escola de design e arquitetura de vanguarda do século 20    danilogo, 28 de Dezembro de 2009 | 10h38:
A revista e galeria Der Sturm abrigava o movimento EXPRESSIONISTA alemão assim como o movimento "Sturm und Drang" (tempestade e ímpeto) congregou os dramaturgos expressionistas idem idem. A Alemanha não gerou artistas impressionistas relevantes. O cinema expressionista alemão também foi balizador de várias estéticas modernistas nesta disciplina

Comentado em: 'Lula' tem estreia concorrida, mas não consagradora                                                                          danilogo, 18 de Novembro de 2009 | 11h23:
Eu quero meu dinheiro de volta. Já estou farto de sustentar esta canalha do cinema brasileiro que enriquece às custas de rodar a bolsinha nas portas dos gabinetes em brasília. Agora uniram o inútil ao desagradável fazendo esta besteirol eleitoreiro. Quer apostar quanto que Lúcifer e Barretão vão ganhar cargos no governo - Deus me livre - da assaltante da bancos Dilma? O filme vai se chamar "A Pistoleira do Amanhã"
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Comentado em: Críticas de Caetano a Lula dividem artistas - Nacional - Estadão.com.br                                                    danilogo, 7 de Novembro de 2009 | 16h21:
Bicha chata. Quem ainda tem saco para baiano?
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Comentado em: A voz de Fernanda O Brasil celebra 80 anos da estrela que nasceu - Arte                                                        danilogo, 16 de Outubro de 2009 | 13h07:
Alguém pode me explicar o que foi feito? ...do dinheiro a fundo perdido que esta senhora recebeu do coronel Sarney na época em que quase foi parar no "mistério" da cultura?
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Comentado em: Autorama pode virar área verde - Cidades - Estadão.com.br                                                                            danilogo, 9 de Outubro de 2009 | 22h33:
Deixem os viados foder... mas coloquem uma placa sinalizando a 500m. como advertência.
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Comentado em: Novo tumulto no Rio fecha estação Central do Brasil - Estadao.com.br                                                                   danilogo, 9 de Outubro de 2009 | 0h07:
O nome Central do Brasil está de acordo com a bagunça centralizada que faz gato e sapato dos usuários, principalmente dos mais pobres. Está na hora da população acordar. Se não houver uma resposta à altura desta bagunça generalizada do Brasil a merda vai continuar se espalhando pelo ventilador.
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Comentado em: Mostra em SP revê história do diretor de teatro Zé Celso - Estadao.com.br                                                             danilogo, 29 de Julho de 2009 | 19h33:
Espero que esta supere - e não será difícil - a pobreza que foi a exposição sobre o oficina montada no Rio de Janeiro (Centro Cultural dos Correios)
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Comentado em: Chico Xavier, como se fosse El Cid - Arte

danilogo, 29 de Julho de 2009 | 19h20:
Caça-níqueis: cada cultura tem o épico que merece.
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Comentado em: Desabafo de um campeão
Cafu: jogador de futebol; lateral se diz desiludido com o futebol, espera (com um pé atrás) jogo de despedida pela seleção e quer atuar mais um ano                                                                         danilogo, 24 de Outubro de 2008 | 10h38:
Desemprego: lá em casa tem vaga para massagista.
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Comentado em: Rainha da Jordânia rouba a cena durante visita em Brasília - Estadao.com.br                                                           danilogo, 23 de Outubro de 2008 | 20h45:
Rainha boa essa, gostei desta rainha. Será que ela vai dar pra mim? E o príncipe, hein? Nada mal também!
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Comentado em: Filhotes de tigre e cachorro ficam amigos na Polônia                                                                                  danilogo, 14 de Agosto de 2008 | 11h17:
Cães: cachorros são mais dignos do que os homens.
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Comentado em: Armações ilimitadas do mestre Serroni            danilogo, 3 de Junho de 2008 | 18h32:
Cenografia: Serroni é sem sombra de dúvida um grande mestre. Gostaria de registrar a existência de cursos a nivel de bacharelado em cenografia pelo menos nas universidades do Rio de Janeiro (UNIRIO e UFRJ). Na UNIRIO desde 1974, a Cenografia é uma das habilitações do curso de Artes Cênicas, juntamente com Figurinos, Direção Teatral, Interpretação e Teoria Teatral. Foi lá que mestres como Anísio Medeiros, Pernambuco de Oliveira, Marie Louise Nery, José Dias, Yan Michalski, Barbara Heliodora e muitos outros que encheriam esta lista por muitas páginas (só de craques) formaram algumas gerações de cenógrafos hoje em atividade. Apesar de pontos discutíveis nesta matéria como "mandamentos" ("cenografia é imitação da realidade" ou "ciclorama é semicircular") é de muito bom augúrio que a midia se aproxime destes profissionais camaleônicos, extremamente necessários à concretização de um bom espetáculo. Não estou aqui me referindo à estética das vitrines de mau gosto que se vê nas novelas, porque estas não são feitas por cenógrafos de verdade.
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Hoje, 13 de Maio de 2012 postei novo comentário na Folha de Sampa e foi, imegine, publicado juntamente com minha timeline naquele pasquim; eis aí parte dela, etc. etc.

Todos farinhas do mesmo saco, intragáveis, reacionários, emburrecedores e corruptos: TV Globo, Garotinho, Eduardo Paes, Cesar Maia, Sergio Cabral, Clarissa, Rodrigo, Waterfall, Demóstenes, Arruda, Abril, etc, etc. Alternativa possível (não definitiva): Marcelo Freixo, político ficha-limpa, caçador de milicianos, sem patrimônio pessoal de relevo (e por isso facilmente verificável) jovem e cheio de boas intenções (apesar de o inferno estar cheio de gente da política que professam estes ideais). 

Uma viagem aos Estados Unidos pode facilmente ser substituida, e com melhor proveito, para algum país top de linha da Europa, de cultura superior, apesar de falida tanto quanto aquele, ou a Taiwan, Hong Kong ou Tokyo para quem quiser comprar gadgets tecnológicos muito mais baratos e ainda desfrutar de uma culinária soberba (coisa que os americanos nem sabem do que se trata) e de uma educação popular de primeira linha (idem idem). É muito mais negócio, menos aporrinhação e menos falta de respeito. 

Enquanto não for votada a lei sobre a criminalização da homofobia e os jagunços, pastores e Bostonaldos de plantão não forem postos em cheque na forma da lei, estas atrocidades continuarão a assombrar a sociedade brasileira e a denegrir a imagem e a performance do país frente aos organismos nacionais e internacionais de defesa dos direitos da cidadania, dos índices de desenvolvimento humano e da credibilidade da nação em querer posar de promotora do bem estar social e combatente à pobreza.
Cinzas de Chico Anysio serão espalhadas pelo Projac no... em 31/03/2012 às 13h38                                                                    Plácido Bento (108) em 30/03/2012 às 15h47
um artista completo ator compositor escritor e pintor de uma inteligemcia adimiravel. mas a globo deveria aomenagiar ele emquato vivo. nao agora depois de morto discanse em paz
danilogo:                                                                                                                                 "Discanse" é com "i" no final: discansi. Chico Anísio foi tudo isto que o senhor escreveu, principalmente do jeito em que foi feito. Tem razão. 

espero que esta alma penada infernize a vida da gentalha que habita o Projac. 

então me responda de onde veio o dinheiro do eike batista, por exemplo. a senhora está totalmente equivocada: na ditadura roubava-se e muito, mas com a mordaça na boca de quem se aventurasse a falar. acorda, alice! ignorantona.
PPS quer explicação de Stepan Nercessian por ligação... em 31/03/2012 às 13h24                                                                                                                                                                                                                                  Victor Pereira (20) em 31/03/2012 às 13h18                                                                                                    Além de ator, é um pilantra e dos bons!!! A sociedade brasileira está corrompida por todos os lados...                                                                                                              danilogo:                                                                                                                                          esqueceu da bufunfa q a fernanda montenegro meteu a mão a fundo perdido (roubalheira oficiosa sob patrocínio de josé sarney, seu padrinho) pra comprar terreno na barra da tijuca, apê na vieira souto, casa no jardim botânico, montar conspiração para seus rebentos continuarem a mamar no erário publico, fazer da filha oligofrênica uma caça-dotes e daí adiante?
q fofo! e pensar q eu votei nesta maravilha! 

Chico Anísio foi uma excrescência tal qual a zelia e a tv globo.         Pena não ter carregado com eles também. 

Já foi tarde. Devia ter levado o Projac com ele.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

História do Brasil (e do Homem)

Corrupção: crime contra a sociedade

Leonardo Boff
          Segundo a Transparência Internacional, o Brasil comparece como um dos países mais corruptos do mundo. Sobre 91 analisados, ocupa o 69º lugar. Aqui ela é histórica, foi naturalizada, vale dizer, considerada como um dado natural, é atacada só posteriormente quando já ocorreu e tiver atingido  muitos milhões de reais e goza de ampla impunidade. Os dados são estarrecedores: segundo a Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) anualmente ela representa 84.5 bilhões de reais. Se esse montante fosse aplicado na saúde subiriam em 89% o número de leitos nos hospitais; se na educação, poder-se-iam abrir 16 milhões de novas vagas nas escolas; se na construção civil,  poder-se-iam construir 1,5 milhões de casas.
         Só estes dados denunciam a gravidade do crime contra a sociedade que a corrupção representa. Se vivessem na China muitos corruptos acabariam na forca por crime contra a economia popular. Todos os dias, mais e mais fatos são denunciados como agora com o contraventor Carlinhos Cachoeira que para garantir seus negócios infiltrou-se corrompendo gente do mundo político, policial e até governamental. Mas não adianta rir nem chorar. Importa compreender este perverso processo criminoso.
         Comecemos com a palavra corrupção. Ela tem origem na teologia. Antes de se falar em pecado original,  expressão que não consta na Bíblia mas foi criada por Santo Agostinho no ano 416 numa troca de cartas com São Jerônimo, a tradição cristã dizia que o ser humano vive numa situação de corrupção. Santo Agostinho explica a etimologia: corrupção é ter um coração (cor)  rompido (ruptus) e pervertido. Cita o Gênesis: “a tendência do coração é desviante desde a mais tenra  idade”(8,21). O filósofo Kant fazia a mesma constatação ao dizer:“somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas”. Em outras palavras: há uma força em nós que nos incita ao desvio que é a corrupção. Ela não é fatal. Pode ser controlada e superada, senão segue suatendência.
         Como se explica a corrupção no Brasil? Identifico três razões básicas entre outras: a histórica, a política e a cultural.
         A histórica: somos herdeiros de uma perversa herança colonial e escravocrata que marcou nossos hábitos. A colonização e a escravatura são instituições objetivamente violentas e injustas. Então as pessoas para sobreviverem e guardarem a mínima liberdade eram levadas a corromper. Quer dizer: subornar, conseguir favores mediante trocas, peculato (favorecimentoilícito com dinheiro público) ou nepotismo. Essa prática deu  origem ao jeitinho brasileiro, uma forma de navegação dentro de uma sociedade desigual e injusta e à lei de Gerson que é tirar vantagem pessoal de tudo.
         A política: a base da corrupção política reside no patrimonialismo, na indigente democracia e no capitalismo sem regras. No patrimonialismo não se distingue a esfera pública da privada. As elites trataram a coisa pública como se fosse  sua e organizaram o Estado com estruturas e leis que servissem a seus interesses sem pensar no bem comum. Há um neopatrimonialismo na atual política que dá vantagens (concessões, médios de comunicação) a apaniguadospolíticos.
         Devemos dizer que o capitalismo aqui e no mundo é em sua lógica, corrupto, embora aceito socialmente. Ele simplesmente impõe a dominação do capital sobre o trabalho, criando riqueza com a exploração do trabalhador e com a devastação da natureza. Gera desigualdades sociais que, eticamente, são injustiças, o que origina permanentes conflitos  de classe. Por isso, o capitalismo é por natureza antidemocrático, pois  a democracia supõe uma igualdade básica dos cidadãos e direitos garantidos, aqui violados pela cultura capitalista. Se tomarmos tais valores como critérios, devemos dizer que nossa democracia é anêmica, beirando a farsa. Querendo ser representativa, na verdade, representa os interesses das elites dominantes e não os gerais da nação. Isso significa que não temos um Estado de direito consolidado e muito menos um Estado de bem-estar social. Esta situação configura uma corrupção  já estruturada e faz com que ações corruptas campeiem livre e impunemente.
         Cultura: A cultura dita regras socialmente reconhecidas. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Os corruptos são vistos como espertos e não como criminosos que de fato são. Via de regra podemos dizer:  quanto mais desigual e injusto é um Estado e ainda por cima centralizado e burocratizado como o nosso, mais se cria um caldo cultural que permite e tolera a corrupção.
         Especialmente nos portadores de poder se manifesta a tendência à corrupção. Bem dizia o católico  Lord Acton (1843-1902): ”o poder  tem a tendência a se corromper e o absoluto poder corrompe absolutamente”. E acrescentava:”meu dogma é a geral maldade dos homens portadores de autoridade; são os que mais se corrompem”.
         Por que isso? Hobbes  no seu Leviatã (1651)  nos acena para uma resposta plausível: “assinalo, como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e irrequieto desejo de poder e de mais poder que cessa apenas com a morte; a razão disso reside no fato de que não se pode garantir o poder senão buscando ainda mais poder”. Lamentavelmente foi o que ocorreu com o PT. Levantou a bandeira da ética e das transformações sociais. Mas ao invés de se apoiar no poder da sociedade civil e dos movimentos e criar uma nova hegemonia, preferiu o caminho curto das alianças e dos acordos com o corrupto poder dominante. Garantiu a governabilidade  a preço de mercantilizar as relações políticas e abandonar a bandeira da ética. Um sonho de gerações foi frustrado. Oxalá  possa ainda ser resgatado.
         Como combater a corrupção? Pela transparência total, pelo aumento dos auditores confiáveis que atacam antecipadamente a corrupção. Como nos informa o World Economic Forum, a Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes; o Brasil apenas, 12.800 quando precisaríamos pelo menos de 160.000. E lutar para umademocracia menos desigual e injusta que a persistir assim será sempre corrupta e corruptora.
Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor