quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

mooreround

 
Em 2005 ou 06 estive numa exposição de esculturas e desenhos do grande Henry Moore na Pinacoteca em São Paulo. 
Tive a sorte de terem liberados fotos e filmagens para talvez algum órgão de imprensa ou divulgação e resolvi pegar uma carona na situação acionando minha camereta digital tudo-em-um que jazia há muito no fundo da mochila.
Fascinado com as formas opulentas e algo expressionistas daquele escultor, vi-me impelido a dialogar com aquelas imagens de forma a captar todas as suas faces e ângulos circulando ao seu redor. 
Quando finalmente, depois de esquecer alguns dias estes registros na câmera resolvi montá-los, me decidi pela decupagem destas imagens enfatizando seu processo de desconstrução. 
Montei a sequência colocando as primeiras obras que ainda guardavam certa inteireza e dialogavam com o mundo tal como vemos para fragmentá-las progressivamente até ao nível da abstração. Daí surgiram dois filmes, o outro ilustrando um poema de Bertolt Brecht. 
Na época eu mantinha uma conta no You Tube, lonelycopacabana
onde postava alguns filmetes experimentais, montagens de algumas sequências de materiais aleatórios que de certa maneira formavam algum tipo de narrativa. 
Este vídeo aí, mooreround, com a colaboração de alguns compassos de um movimento da 6ª sinfonia de Beethoven, a "Pastoral", baixada com licença gratuita para uso no site da BBC 
que na época hospedava uma integral deste compositor pela orquestra sinfônica de Londres, foi o mais foi assistido 
- mais de 700 exibições - o que no meu caso é uma enormidade. 
Houveram também comentários de apreciação que me entusiasmaram, mas que com o passar do tempo caíram no esquecimento assim como o lonelycopacabana, hoje inexistente.
Mas eis que de repente outro dia, comendo uma pizza  em baixo de um desses monitores ligados full time na TV Globo por vício, indolência ou lavagem cerebral dos funcionários da casa, 
me surpreendi ao testemunhar no fim dos créditos de encerramento 
de uma dessas novelas barangas, um dispositivo muito similar ao que eu havia concebido para mooreround, uma escultura sendo mostrada com uma câmera que a circundava. 
Como não deu tempo de perceber do que se tratava em detalhes e sabedor por anos de experiência própria que naquela emissora 
nada é mais do que mero pastiche e contrafação das propriedades intelectuais e da vidas alheios, quando não de si mesmas, 
resolvi exumar este video que por acaso ainda se encontrava por aqui num velho cd.

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