segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Amazônia, o Planeta Verde


Filme de Thierry Dagobert
Brasil/França, 2013




Fui tomado por uma sensação incontrolável de nostalgia ao assistir este documentário disfarçado de pretensa ficção que atende pelo nome “Amazônia”, uma xerox colorida já um tanto desbotada das reportagens do National Geographic Channel, algo com que eu me deleitava com certo gosto quando ainda me restavam resquícios da herança escravagista atrelado na frente de um monitor como um fugitivo no pelourinho.

Depois de abolida a televisão em minha casa - e lá se vão mais de 6 anos - restou-me este ressaibo acridoce ao final da sessão deste filme, na certeza de ter usufruído o melhor de:
1- Arnaldo Jabor no papel da Anta, 
2- de Fernanda Montenegro fazendo a poderosa e arquejante Sucuri com as burras cheias dos recursos naturais, 
3- Regina Duarte interpretando a macaca morrendo de medo do chefe da nação troglodita, 
4- Marilia Pera como a traiçoeira Aranha tecendo sua teia para a entrada do veneno collorido nas veias do herói,  
5- Miguel Falabella sem necessidade de laboratório para executar com maestria o seu Viado, 
6- dos executivos da Central Globo de Produção do PROJAC encarnando os madeireiros arrasa-quarteirão das florestas, 
7- de Luis Inácio Lula da Silva dando show como a Águia, escandalosamente emplumada, de garras afiadas prontas para massacrar as presas mais indefesas e logo após dizer que promoveu o bando de macaquitos a orangotangos, 
8- e a bicha-galã global da vez no papel do macaquinho protagonista. 


Surpreendeu-me a lista de treinadores e domadores de animais dos créditos finais como se este bando de bestas quadradas precisassem de alguma educação para mostrar seu potencial irracional.

Já ia me esquecendo:
9- da Vera Fischer, a ex-barraqueira, agora nos seus estertores de Onça  
10- e do Povo Brasileiro dando pulinhos de alegria como os simpáticos Botos.


Quanto ao Macaco Mau, 
11- adivinhem quem é? 
12- E a Cobra Coral, aquela que costuma trajar vermelho?


Paisagens lindas, um colírio alucinógeno extraído dos cogumelos lisérgicos da floresta, sob medida para escamotear as agruras de seus habitantes e mostrar para o mundo que seu pulmão não está corroído pela ambição, pelas endemias, os interesses farmacêuticos, capangas assassinos, partidos políticos desmatadores e nações indígenas dizimadas.


Depois que passa o efeito dos cogumelos dá uma larica dos diabos, mas o filé já está comprometido.

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