sábado, 28 de abril de 2012

Censura

Hoje, 28 de Abril de 2012, saiu uma nota na Folha de S. Paulo a respeito da edição de um livro-coletânea de artigos do saudoso jornalista Paulo Francis.
Fiz um comentário aparentemente acolhido mas que não apareceu no espaço reservado para ele.
Depois, comentei novamente reclamando, posto que outros leitores assim também o fizeram, considerando que estas omissões configuram um posicionamento politico daquele jornal contrariado com o teor de determinados textos.
Meu comentário era a respeito da falta de um modelo de articulista corajoso, culto, verdadeiramente polêmico e apaixonado como era Paulo Francis para esta geração de leitores agora submetidos às inocuidades de, por exemplo, Arnaldo Jabor, tipo de profissional de idéias obscuras, demodée e de curto alcance qual o famoso tamanho de sua minúscula piroca, lacaio refestelado no berço esplêndido da vassalagem da jagunça
família Marinho, enquanto aquele foi covardemente assassinado pela Petrobrás, a quem chamava Petrossauro denunciando suas maracutaias, conluios e conchavos, sempre batendo com seu poderoso caralhão na mesa.
Rapidamente a matéria saiu da página principal da Folha, apesar de ser um lançamento de uma editora da própria casa.
Esta mordaça é uma constante na guerra dos interesses editoriais da imprensa brasileira às voltas com os mesmos conchavos, compadrios, etc. e constituem uma deslavada censura que,  aplicada na mão inversa por poderes leoninos, provoca uma balbúrdia tal que os fazem, paradoxalmente, parecer baluartes da liberdade de expressão.
Logicamente não é o que acontece.
Este tipo de acolhimento ou liberdade editorial começa quando pode-se contribuir com a bajulação de praxe e termina com o dízimo habitual.
Por conta disso me dou ao trabalho de publicar aqui partes de minha timeline (comentários publicados) no jornal Estado de São Paulo (que teve a dignidade de publicá-la na web) a respeito de diversos assuntos que no decorrer do tempo sofreram muitas mudanças ao sabor dos ventos e dos acontecimentos que a vida real tão generosamente nos oferece em seu vai-e-vem diário.
Aprendi com aquele cantor a ostentar orgulhosamente a minha metamorfose ambulante e embora muitas vezes pense diferentemente daquilo que foi publicado, não movo uma vírgula sequer em função dessas mudanças, posto que estas pontuações configuram marcas que o tempo opera na minha estrada.

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Hoje, 3 e Maio de 2012, deu no Estadão:

Censura na internet 'fere liberdade de imprensa', diz Anistia

Relatório da organização diz que repressão a jornalistas e blogueiros 'enfraquece democracias' em todo o mundo, 03 de maio de 2012 | 5h 42

No Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, a organização de direitos humanos Anistia Internacional alerta para a repressão de jornalistas e blogueiros que usam a internet para veicular suas reportagens para milhões de leitores, virtualmente sem fronteiras.
As proibições em sites de busca, a aprovação de leis restritivas à liberdade de expressão online e até os custos proibitivos de uso da rede, todas são ações que enfraquecem a democracia nos países, argumentou a organização.
Nas Américas, a Anistia destaca principalmente a repressão em Cuba e no México, onde os jornalistas são cerceados seja por oposição ao Estado (Cuba), seja por denunciar esquemas de corrupção e tráfico de drogas (México).
Recentemente, o Brasil também tem chamado a atenção das organizações de direitos humanos por causa da morte ou repressão de jornalistas. Apenas neste ano, quatro jornalistas foram assassinados no país.
Fora da internet, as Américas têm algumas das regiões mais hostis para a prática do jornalismo independente.
Brasil
Na opinião da Anistia, situação no norte do México talvez seja a mais grave, mas em Honduras e na Colômbia os profissionais que buscam desvendar esquemas de corrupção ou crime organizado também são perseguidos.
No Brasil, no início deste ano, a organização Repórteres Sem Fronteiras rebaixou o país para a 99ª posição no seu ranking de 179 países sobre liberdade de imprensa - uma queda de 41 posições -, principalmente pelo "alto nível de violência que afetou os jornalistas em 2011".
Na internet, uma das situações mais lembradas é a da blogueira cubana Yoani Sánchez, que chegou a apelar para a presidente Dilma Rousseff, mas teve uma viagem ao Brasil negada pelas autoridades da ilha comunista - a 19ª viagem ao exterior rejeitada.
"Os Estados estão atacando os jornalistas e os ativistas na internet porque se dão conta de como estes indivíduos corajosos podem efetivamente usar a internet para desafiá-los", disse o diretor-sênior da Anistia para Legislação Internacional, Widney Brown.
"Precisamos fazer resistência a todo esforço dos governos de minar a liberdade de expressão."
Primavera Árabe
Em várias regiões do planeta, incluindo países mais pobres ou emergentes, o acosso de jornalistas é comum, ressaltou a Anistia em sua avaliação geral da liberdade de imprensa.
A chamada Primavera Árabe - levantes populares nos países do Oriente Médio e Norte da África nos últimos 15 meses - abriu "o espaço para a expressão da mídia" em países como a Tunísia ou a Líbia - entretanto, restrições à liberdade de imprensa continuam a ser "disseminadas", disse a ONG.
Na Tunísia, os jornalistas que criticam o novo governo são acusados de perturbar a ordem ou contrariar a moral pública. No Egito, apesar da queda do repressivo regime de três décadas de Hosni Mubarak, jornalistas e blogueiros acusam a junta militar que governo o país de prender e interrogar profissionais da imprensa.
No Irã, os internautas passaram a ser ameaçados por uma nova força de controle da internet, a polícia cibernética.
Praticar o jornalismo em regiões envolvidas em tensões e conflitos também é um risco para os profissionais. No Paquistão, jornalistas que incomodam a milícia Talebã local são acossados. Só no ano passado, 15 jornalistas foram mortos no país.
Na Somália, em grande parte controlada pelo grupo extremista Al-Shabaab, a situação para jornalistas é tão perigosa que muitos preferem o exílio. Desde 2007, pelo menos 27 jornalistas foram mortos no país, três deles, alvos específicos de ataques na capital, Mogadishu, nos últimos seis meses.
Já nos regimes autocratas da Europa do leste e Eurásia, os sucessores do antigo bloco soviético reforçaram seu poder sobre os governos, nas palavras da Anistia, "asfixiando os dissidentes, amordaçando as críticas e reprimindo os protestos".
"Não foi um bom ano para a liberdade de expressão", afirmou a ONG.
'Criatividade'
O relatório também destacou a "criatividade" tanto de governos para reprimir a liberdade de imprensa como dos censurados para contornar as restrições.
Como exemplo do primeiro caso, a Anistia menciona o Sudão, que está a ponto de protagonizar o mais recente conflito da África com o recém-criado Sudão do Sul. As formas "criativas" includem a distorção no uso das leis para dificultar a atividade jornalística e multar os críticos.
Já do outro lado estão jornalistas e blogueiros chineses, que, para fugir da censura, também estão sendo obrigados a adotar formas criativas de atuação.
Em uma recente campanha a favor do advogado cego Chen Guangcheng, por exemplo, muitos apareceram na rede virtual usando óculos escuros, ou utilizaram uma foto de óculos escuros em seus perfis de sites sociais online.
No dia a dia, os usuários chineses - 513 milhões - são vistos como uma ameaça pelo regime comunista, um dos mais fechados do mundo.
Autores de artigos e reportagens políticas consideradas "sensíveis" pelo governo são "rotineiramente monitorados, interrogados e assediados pelas forças de segurança e, em alguns casos, desapareceram". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC. 
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Timelime de danilogo no Estadão

Chico Anysio (#chicoanysio)
Comentado em: Morre Chico Anysio
Humorista estava internado em estado delicado desde dezembro; ele tinha 80 anosdanilogo, 23 de Março de 2012 | 19h26:
Já vai tarde. E que venha buscar rapidamente todos estes dejetos globais que esvaziam e alienam a cultura brasileira, formandores da classe média mais feia, desajeitada e mais mal educada do planeta. Menos um.
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Cinema Brasileiro (#cinemabrasileiro)
Comentado em: 'Tropa de Elite 2' fica fora da disputa pelo Oscar danilogo, 18 de Janeiro de 2012 | 22h01:
Nenhum filme genuinamente brasileiro da safra recente interessa a platéias internacionais. São todos focados em pobrezas nacionais e daqui não dão um passo além de ratificar da anemia cultural a que foi submetida a população pela ditadura da burrice balizadora da educação por baixo, exercida pela tv globo e pelos folhetins do sec 19, ainda na ordem do dia neste Bananal  escravizado. Enquanto o audiovisual permanecer atrelado às leis de incentivo que exercem censura estética, moral e política através do empresariado (que sempre apoiou a ditadura), os pretensos "cineastas" continuarão a encher os bolsos a priori e arrotar mediocridades no telão depois. Não é de se admirar que não haja nenhum filme brasileiro relevante neste certame - que de resto é de uma indigência escandalosa . Não interessa ao mundo, e nem é fato relevante, se as milícias continuam infiltradas na polícia ou na justiça brasileira, isso todo mundo está empapuçado de saber - além daqueles que trafegam na aba desta cultura de bandidos institucionais. O que urge acontecer é, ao invés
de fazer cinema caça-níqueis dessa miséria, estes cidadãos precisam aprender a trabalhar efetivamente para erradicar esta cultura e não perpetuá-la como manancial dos seus filmes tortos .
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Comentado em: 'Nosso Lar' tem público de 1 milhão de espectadores 

danilogo, 8 de Setembro de 2010 | 22h28:
Apesar de cafona e cheio de clichês gramaticais e visuais "Nosso Lar" é um filme envolvente e cheio de boas intenções, este artigo que faz o quociente demográfico do inferno dobrar a cada dia... Fui assistir disposto a não gostar apesar de motivado pelo valor do batalhador ator Renato Prieto que nunca teve uma oportunidade decente de mostrar seu talento prodigioso. Se isto tivesse acontecido nos anos 70 quando ele ainda era um jovem belíssimo, sua passagem sobre a terra teria sido um outro enredo.
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Comentado em: Eduardo Paes tem alta no Rio após cirurgia danilogo, 9 de Agosto de 2010 | 19h46:
Tem certeza que isto não foi uma reposição de pregas?
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Comentado em: Acesso universal aos antirretrovirais mudou perfil do soropositivo, diz especialista                                                           danilogo, 22 de Julho de 2010 | 19h51:
De que adianta a pessoa tomar as drogas do coquetel e não ter acompanhamento social, ser moralmente assediada no trabalho, não ter acesso aos tratamentos que controlam os inúmeros efeitos colaterais destas drogas, inclusive danos psicológicos, e depender da boa (?) vontade do judiciário no momento que necessita de uma aposentadoria a fim de prover uma dieta decente e nutritiva em sua mesa? É muito fácil alardear a bandeira desta política rara na saúde pública deste país quando no final das contas são dados mentirosos de pesquisas viciadas. Alguém já se deu ao trabalho de investigar a organização e os métodos de controle dos cadastrados na distribuição destas drogas nos postos de saúde?
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Comentado em: Brasileiros sequenciam DNA humano completo danilogo, 11 de Julho de 2010 | 14h05:
Estes feitos são um legado para a humanidade, mas esta doença nacionalista (que em outras épocas e lugares -inclusive aqui mesmo - já custou muitas vidas) e esta doença infantilóide e colonizada de ficar bem na foto internacional (típica da midia e propagada na metalidade pobre da classe média brasileira) acabam por anular oque em tese seria um bem de todos. Esta cultura do exclusivismo só interessa à conta bancária escrota de um sistema pernicioso que põe de antemão em primeiro plano aquilo que deveria ser a decorrência de um talento ou uma virtuosidade científica .

Comentado em: Dilma discute mulheres na política com socialites do Rio                                                                                    danilogo, 10 de Julho de 2010 | 11h33:
Mas que coisa incrível, hein? Que informação relevante esta de que nunca uma mulher ocupou o cargo da presidência da república do Brasil! É mesmo? Não acredito! Finalmente as cabeças socialitizadas agora estão ocupadas com algo mais que as perucas e o vazio de praxe.
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Comentado em: Quer ser o leitor do 'Estadão' no júri de Gramado? 

danilogo, 9 de Julho de 2010 | 15h05:
...retificando: que não se deve desejar...
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Comentado em: Quer ser o leitor do 'Estadão' no júri de Gramado? danilogo, 9 de Julho de 2010 | 14h57:
Algo que não deve desejar nem ao pior inimigo é acompanhar uma maratona de cinema brasileiro (e afins).
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Comentado em: Dilma, pré-candidata - Brigona, ela não tem meias palavras                                                                                      danilogo, 21 de Junho de 2010 | 19h44:
É a linguagem que ela conheceu na época da ditadura, que combateu com tiros. Nunca conseguiu tirar esta prepotência de dentro de si. É como certas etnias que depois de vitimizadas se tornaram carrascas. Xô, fulana!
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Comentado em: Roberto Bolaño, gênio numa família de iletrados danilogo, 22 de Maio de 2010 | 13h33:
Por que aparece como sendo de "agência estado" o comentário que eu fiz sobre este post?
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Agencia Estado
Comentado em: Roberto Bolaño, gênio numa família de iletrados danilogo, 22 de Maio de 2010 | 2h26:
Em "Amuleto" quem se esconde no banheiro da universidade é uma imigrante chilena em Cidade do México, de profissão indefinida, vivendo de trabalhos ocasionais principalmente na universidade, freqüentadora das rodas literárias e amiga de seus principais expoentes e não um poeta conforme está escrito no Estadão. Percebe-se que o autor da matéria não leu os livros e ouviu o galo cantar em Barcelona, Juarez, quiçá em Paris ou Cidade do México. Esta personagem apareceu primeiro em "Detetives Selvagens" onde sua história é narrada em linhas mais gerais e se entrelaça com a de outros personagens que de variadas formas também se desenvolvem em livros diferentes de Roberto Bolaño, ampliando ou simplificando seus contextos e histórias. Em tempo, o movimento poético em "Detetives Selvagens" é Real-Visceralistas ou Visce-Realistas. Há que se perguntar de onde foi pescado estes infrarrealistas a quem o autor da matéria se refere.


Comentado em: Presença brasileira no Festival de Cannes 

danilogo, 12 de Maio de 2010 | 10h50:
Os filmes de Carlos Diegues são, em sua maioria insossos e desconchavados, na contra-mão de seus discursos cheios de empáfia. Suas entressafras criativas são evidentes e pergunta-se porque não bota a viola no saco e sai andando. Quem não se lembra do escandaloso apê na Vieira Souto que o erário público via Embrafilme o propiciou? Parece que agora, quando suas forças estão em declínio, apela para este projeto demagógico. É outro pegando carona nesta onda assistencialista que esconde muita grana por trás de intenções mascaradas. Se estes favelados fizerem do jeito que o mestre costuma fazer... vão dizer que é melhor doque se vender para o tráfico.
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Comentado em: Número de mortos pelas chuvas no Rio deve aumentar ao longo do dia                                                                   danilogo, 6 de Abril de 2010 | 10h27:
Os comentaristas desta matéria estão se aproveitando deste descaso crônico dos governos do Rio de Janeiro com a assoreação dos rios, contenção das encostas e aprimoramento dos serviços urbanos em geral para fazer proselitismio eleitoreiro contra o PT, esquecendo-se que seja lá quem for ganhar a presidência, estes males endêmicos, pelo menos nesta geração, não serão sanados e até mesmo cultivados muito mais agora, sob a chancela dos roubos e da ditadura do PT, que foi eleito na esperança de posicionar um último bastião da lisura e da probidade e deu no mensalão que o presidente deu. Depois dessa está tudo liberado para a anarquia e o abandono da população à sua própria sorte, desde que tenha devidamente contribuído com as taxas escorchantes praticadas para a manutenção desses serviços, mas que acabam enchendo os bolsos dos corruptos, seja lá de que partido forem.
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Comentado em: O instigante são os outros - Há 30 anos na vitrine das celebridades, Miguel Falabella usa experiência para criar série ambientada numa revista de fofocas                                                danilogo, 28 de Março de 2010 | 11h45:
Viado! Viado! Viado!
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Comentado em: Concorrente ao Oscar, 'Preciosa' é história de superação
danilogo, 13 de Fevereiro de 2010 | 10h57:                                       É realmente um bom filme, mas "Dançando no Escuro" de Lars von Trier ilustra melhor e em primeira mão o tipo dessa fuga empreendida por personagens em direção aos musicais, e "Aquário" de Andrea Arnold é menos enfeitado, eficaz e mais contemporâneo no tratamento do mesmo tema, uma jovem desajustada, submetida a um programa social do governo, maltratada pela mãe, carente de afeto, em busca da superação de suas carências e conflitos.
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Comentado em: 'Bim Bom' de João Gilberto ganha novas versões danilogo, 12 de Fevereiro de 2010 | 14h22:
Que coisinha pobre esta música; ainda bem que ela mesma se reconhece por não ter mais nada não, o que lhe confere a auto-mediocridade laureada. E dizer que isso é cultura! Faça-me o favor...aposentem esta múmia.
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Comentado em: STF deve analisar hoje habeas-corpus de Arruda danilogo, 12 de Fevereiro de 2010 | 10h56:
É necessário um pogrom político para varrer do mapa toda esta classe política escrota brasileira. Quando vão espetar a cabeça de José Sarney num poste? Aguardo ansiosamente.
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Comentado em: Quermesse multiestelar
Com Teletons ou aterrissagens hollywoodianas, celebridades tiram sua casquinha da tragédia no Haiti
danilogo, 31 de Janeiro de 2010 | 11h15:                                          E o viado Caetano e a macaca Gil? estão rezando pelo Haiti ou ainda contando os caraminguás que auferiram explorando a miséria daquela gente anos atrás?
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Comentado em: Tigres estão próximos de extinção, alerta ONG de preservação 

danilogo, 26 de Janeiro de 2010 | 10h15:
Primeiramente é necessário dizimar todos os americanos gordos, todos os italianos fanfarrões, todos os franceses metidos-a-besta, os ingleses escrotos e os brasileiros sangue-de-barata.
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Comentado em: Estrelas do cinema e da música se unem pelo Haiti danilogo, 24 de Janeiro de 2010 | 11h12:
Enquanto isso, aqui no Bananal, as múmias e os idiotinhas continuam olhando para o próprio umbigo (devastado) e contando seus caraminguás.
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Comentado em: Dilma adia legalização de terreiros de umbanda para evitar nova crise                                                                    danilogo, 21 de Janeiro de 2010 | 10h55:
Essa filha da puta é a cara de uma ex-amiga minha, e pelo visto, tão vigarista quanto.
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Comentado em: Bauhaus, a oficina da modernidade
Retrospectiva celebra os 90 anos de fundação da mais famosa escola de design e arquitetura de vanguarda do século 20    danilogo, 28 de Dezembro de 2009 | 10h38:
A revista e galeria Der Sturm abrigava o movimento EXPRESSIONISTA alemão assim como o movimento "Sturm und Drang" (tempestade e ímpeto) congregou os dramaturgos expressionistas idem idem. A Alemanha não gerou artistas impressionistas relevantes. O cinema expressionista alemão também foi balizador de várias estéticas modernistas nesta disciplina

Comentado em: 'Lula' tem estreia concorrida, mas não consagradora                                                                          danilogo, 18 de Novembro de 2009 | 11h23:
Eu quero meu dinheiro de volta. Já estou farto de sustentar esta canalha do cinema brasileiro que enriquece às custas de rodar a bolsinha nas portas dos gabinetes em brasília. Agora uniram o inútil ao desagradável fazendo esta besteirol eleitoreiro. Quer apostar quanto que Lúcifer e Barretão vão ganhar cargos no governo - Deus me livre - da assaltante da bancos Dilma? O filme vai se chamar "A Pistoleira do Amanhã"
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Comentado em: Críticas de Caetano a Lula dividem artistas - Nacional - Estadão.com.br                                                    danilogo, 7 de Novembro de 2009 | 16h21:
Bicha chata. Quem ainda tem saco para baiano?
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Comentado em: A voz de Fernanda O Brasil celebra 80 anos da estrela que nasceu - Arte                                                        danilogo, 16 de Outubro de 2009 | 13h07:
Alguém pode me explicar o que foi feito? ...do dinheiro a fundo perdido que esta senhora recebeu do coronel Sarney na época em que quase foi parar no "mistério" da cultura?
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Comentado em: Autorama pode virar área verde - Cidades - Estadão.com.br                                                                            danilogo, 9 de Outubro de 2009 | 22h33:
Deixem os viados foder... mas coloquem uma placa sinalizando a 500m. como advertência.
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Comentado em: Novo tumulto no Rio fecha estação Central do Brasil - Estadao.com.br                                                                   danilogo, 9 de Outubro de 2009 | 0h07:
O nome Central do Brasil está de acordo com a bagunça centralizada que faz gato e sapato dos usuários, principalmente dos mais pobres. Está na hora da população acordar. Se não houver uma resposta à altura desta bagunça generalizada do Brasil a merda vai continuar se espalhando pelo ventilador.
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Comentado em: Mostra em SP revê história do diretor de teatro Zé Celso - Estadao.com.br                                                             danilogo, 29 de Julho de 2009 | 19h33:
Espero que esta supere - e não será difícil - a pobreza que foi a exposição sobre o oficina montada no Rio de Janeiro (Centro Cultural dos Correios)
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Comentado em: Chico Xavier, como se fosse El Cid - Arte

danilogo, 29 de Julho de 2009 | 19h20:
Caça-níqueis: cada cultura tem o épico que merece.
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Comentado em: Desabafo de um campeão
Cafu: jogador de futebol; lateral se diz desiludido com o futebol, espera (com um pé atrás) jogo de despedida pela seleção e quer atuar mais um ano                                                                         danilogo, 24 de Outubro de 2008 | 10h38:
Desemprego: lá em casa tem vaga para massagista.
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Comentado em: Rainha da Jordânia rouba a cena durante visita em Brasília - Estadao.com.br                                                           danilogo, 23 de Outubro de 2008 | 20h45:
Rainha boa essa, gostei desta rainha. Será que ela vai dar pra mim? E o príncipe, hein? Nada mal também!
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Comentado em: Filhotes de tigre e cachorro ficam amigos na Polônia                                                                                  danilogo, 14 de Agosto de 2008 | 11h17:
Cães: cachorros são mais dignos do que os homens.
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Comentado em: Armações ilimitadas do mestre Serroni            danilogo, 3 de Junho de 2008 | 18h32:
Cenografia: Serroni é sem sombra de dúvida um grande mestre. Gostaria de registrar a existência de cursos a nivel de bacharelado em cenografia pelo menos nas universidades do Rio de Janeiro (UNIRIO e UFRJ). Na UNIRIO desde 1974, a Cenografia é uma das habilitações do curso de Artes Cênicas, juntamente com Figurinos, Direção Teatral, Interpretação e Teoria Teatral. Foi lá que mestres como Anísio Medeiros, Pernambuco de Oliveira, Marie Louise Nery, José Dias, Yan Michalski, Barbara Heliodora e muitos outros que encheriam esta lista por muitas páginas (só de craques) formaram algumas gerações de cenógrafos hoje em atividade. Apesar de pontos discutíveis nesta matéria como "mandamentos" ("cenografia é imitação da realidade" ou "ciclorama é semicircular") é de muito bom augúrio que a midia se aproxime destes profissionais camaleônicos, extremamente necessários à concretização de um bom espetáculo. Não estou aqui me referindo à estética das vitrines de mau gosto que se vê nas novelas, porque estas não são feitas por cenógrafos de verdade.
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Hoje, 13 de Maio de 2012 postei novo comentário na Folha de Sampa e foi, imegine, publicado juntamente com minha timeline naquele pasquim; eis aí parte dela, etc. etc.

Todos farinhas do mesmo saco, intragáveis, reacionários, emburrecedores e corruptos: TV Globo, Garotinho, Eduardo Paes, Cesar Maia, Sergio Cabral, Clarissa, Rodrigo, Waterfall, Demóstenes, Arruda, Abril, etc, etc. Alternativa possível (não definitiva): Marcelo Freixo, político ficha-limpa, caçador de milicianos, sem patrimônio pessoal de relevo (e por isso facilmente verificável) jovem e cheio de boas intenções (apesar de o inferno estar cheio de gente da política que professam estes ideais). 

Uma viagem aos Estados Unidos pode facilmente ser substituida, e com melhor proveito, para algum país top de linha da Europa, de cultura superior, apesar de falida tanto quanto aquele, ou a Taiwan, Hong Kong ou Tokyo para quem quiser comprar gadgets tecnológicos muito mais baratos e ainda desfrutar de uma culinária soberba (coisa que os americanos nem sabem do que se trata) e de uma educação popular de primeira linha (idem idem). É muito mais negócio, menos aporrinhação e menos falta de respeito. 

Enquanto não for votada a lei sobre a criminalização da homofobia e os jagunços, pastores e Bostonaldos de plantão não forem postos em cheque na forma da lei, estas atrocidades continuarão a assombrar a sociedade brasileira e a denegrir a imagem e a performance do país frente aos organismos nacionais e internacionais de defesa dos direitos da cidadania, dos índices de desenvolvimento humano e da credibilidade da nação em querer posar de promotora do bem estar social e combatente à pobreza.
Cinzas de Chico Anysio serão espalhadas pelo Projac no... em 31/03/2012 às 13h38                                                                    Plácido Bento (108) em 30/03/2012 às 15h47
um artista completo ator compositor escritor e pintor de uma inteligemcia adimiravel. mas a globo deveria aomenagiar ele emquato vivo. nao agora depois de morto discanse em paz
danilogo:                                                                                                                                 "Discanse" é com "i" no final: discansi. Chico Anísio foi tudo isto que o senhor escreveu, principalmente do jeito em que foi feito. Tem razão. 

espero que esta alma penada infernize a vida da gentalha que habita o Projac. 

então me responda de onde veio o dinheiro do eike batista, por exemplo. a senhora está totalmente equivocada: na ditadura roubava-se e muito, mas com a mordaça na boca de quem se aventurasse a falar. acorda, alice! ignorantona.
PPS quer explicação de Stepan Nercessian por ligação... em 31/03/2012 às 13h24                                                                                                                                                                                                                                  Victor Pereira (20) em 31/03/2012 às 13h18                                                                                                    Além de ator, é um pilantra e dos bons!!! A sociedade brasileira está corrompida por todos os lados...                                                                                                              danilogo:                                                                                                                                          esqueceu da bufunfa q a fernanda montenegro meteu a mão a fundo perdido (roubalheira oficiosa sob patrocínio de josé sarney, seu padrinho) pra comprar terreno na barra da tijuca, apê na vieira souto, casa no jardim botânico, montar conspiração para seus rebentos continuarem a mamar no erário publico, fazer da filha oligofrênica uma caça-dotes e daí adiante?
q fofo! e pensar q eu votei nesta maravilha! 

Chico Anísio foi uma excrescência tal qual a zelia e a tv globo.         Pena não ter carregado com eles também. 

Já foi tarde. Devia ter levado o Projac com ele.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

História do Brasil (e do Homem)

Corrupção: crime contra a sociedade

Leonardo Boff
          Segundo a Transparência Internacional, o Brasil comparece como um dos países mais corruptos do mundo. Sobre 91 analisados, ocupa o 69º lugar. Aqui ela é histórica, foi naturalizada, vale dizer, considerada como um dado natural, é atacada só posteriormente quando já ocorreu e tiver atingido  muitos milhões de reais e goza de ampla impunidade. Os dados são estarrecedores: segundo a Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) anualmente ela representa 84.5 bilhões de reais. Se esse montante fosse aplicado na saúde subiriam em 89% o número de leitos nos hospitais; se na educação, poder-se-iam abrir 16 milhões de novas vagas nas escolas; se na construção civil,  poder-se-iam construir 1,5 milhões de casas.
         Só estes dados denunciam a gravidade do crime contra a sociedade que a corrupção representa. Se vivessem na China muitos corruptos acabariam na forca por crime contra a economia popular. Todos os dias, mais e mais fatos são denunciados como agora com o contraventor Carlinhos Cachoeira que para garantir seus negócios infiltrou-se corrompendo gente do mundo político, policial e até governamental. Mas não adianta rir nem chorar. Importa compreender este perverso processo criminoso.
         Comecemos com a palavra corrupção. Ela tem origem na teologia. Antes de se falar em pecado original,  expressão que não consta na Bíblia mas foi criada por Santo Agostinho no ano 416 numa troca de cartas com São Jerônimo, a tradição cristã dizia que o ser humano vive numa situação de corrupção. Santo Agostinho explica a etimologia: corrupção é ter um coração (cor)  rompido (ruptus) e pervertido. Cita o Gênesis: “a tendência do coração é desviante desde a mais tenra  idade”(8,21). O filósofo Kant fazia a mesma constatação ao dizer:“somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas”. Em outras palavras: há uma força em nós que nos incita ao desvio que é a corrupção. Ela não é fatal. Pode ser controlada e superada, senão segue suatendência.
         Como se explica a corrupção no Brasil? Identifico três razões básicas entre outras: a histórica, a política e a cultural.
         A histórica: somos herdeiros de uma perversa herança colonial e escravocrata que marcou nossos hábitos. A colonização e a escravatura são instituições objetivamente violentas e injustas. Então as pessoas para sobreviverem e guardarem a mínima liberdade eram levadas a corromper. Quer dizer: subornar, conseguir favores mediante trocas, peculato (favorecimentoilícito com dinheiro público) ou nepotismo. Essa prática deu  origem ao jeitinho brasileiro, uma forma de navegação dentro de uma sociedade desigual e injusta e à lei de Gerson que é tirar vantagem pessoal de tudo.
         A política: a base da corrupção política reside no patrimonialismo, na indigente democracia e no capitalismo sem regras. No patrimonialismo não se distingue a esfera pública da privada. As elites trataram a coisa pública como se fosse  sua e organizaram o Estado com estruturas e leis que servissem a seus interesses sem pensar no bem comum. Há um neopatrimonialismo na atual política que dá vantagens (concessões, médios de comunicação) a apaniguadospolíticos.
         Devemos dizer que o capitalismo aqui e no mundo é em sua lógica, corrupto, embora aceito socialmente. Ele simplesmente impõe a dominação do capital sobre o trabalho, criando riqueza com a exploração do trabalhador e com a devastação da natureza. Gera desigualdades sociais que, eticamente, são injustiças, o que origina permanentes conflitos  de classe. Por isso, o capitalismo é por natureza antidemocrático, pois  a democracia supõe uma igualdade básica dos cidadãos e direitos garantidos, aqui violados pela cultura capitalista. Se tomarmos tais valores como critérios, devemos dizer que nossa democracia é anêmica, beirando a farsa. Querendo ser representativa, na verdade, representa os interesses das elites dominantes e não os gerais da nação. Isso significa que não temos um Estado de direito consolidado e muito menos um Estado de bem-estar social. Esta situação configura uma corrupção  já estruturada e faz com que ações corruptas campeiem livre e impunemente.
         Cultura: A cultura dita regras socialmente reconhecidas. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Os corruptos são vistos como espertos e não como criminosos que de fato são. Via de regra podemos dizer:  quanto mais desigual e injusto é um Estado e ainda por cima centralizado e burocratizado como o nosso, mais se cria um caldo cultural que permite e tolera a corrupção.
         Especialmente nos portadores de poder se manifesta a tendência à corrupção. Bem dizia o católico  Lord Acton (1843-1902): ”o poder  tem a tendência a se corromper e o absoluto poder corrompe absolutamente”. E acrescentava:”meu dogma é a geral maldade dos homens portadores de autoridade; são os que mais se corrompem”.
         Por que isso? Hobbes  no seu Leviatã (1651)  nos acena para uma resposta plausível: “assinalo, como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e irrequieto desejo de poder e de mais poder que cessa apenas com a morte; a razão disso reside no fato de que não se pode garantir o poder senão buscando ainda mais poder”. Lamentavelmente foi o que ocorreu com o PT. Levantou a bandeira da ética e das transformações sociais. Mas ao invés de se apoiar no poder da sociedade civil e dos movimentos e criar uma nova hegemonia, preferiu o caminho curto das alianças e dos acordos com o corrupto poder dominante. Garantiu a governabilidade  a preço de mercantilizar as relações políticas e abandonar a bandeira da ética. Um sonho de gerações foi frustrado. Oxalá  possa ainda ser resgatado.
         Como combater a corrupção? Pela transparência total, pelo aumento dos auditores confiáveis que atacam antecipadamente a corrupção. Como nos informa o World Economic Forum, a Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes; o Brasil apenas, 12.800 quando precisaríamos pelo menos de 160.000. E lutar para umademocracia menos desigual e injusta que a persistir assim será sempre corrupta e corruptora.
Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor

segunda-feira, 19 de março de 2012

Shame

O desespero de uma civilização esgotada em seu potencial, que não tem mais de onde tirar seu substrato vendido, trocado, às voltas com a sobrevivência a duras penas através de um individualismo calamitoso, vampirizando qualquer sopro de lucidez ou criatividade alheios. 
Vergonha!
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Deu no Estadão em 19 de Março de 2012:
Lúcia Guimarães
Início do conteúdo

Em busca da ética digital

19 de março de 2012 | 3h 06


Lúcia Guimarães - O Estado de S.Paulo
Que o leitor me perdoe. Nada mais chato do que jornalista escrevendo de olho no próprio umbigo. Se me permitem a indulgência, vou contar uma novidade que afeta modestamente nosso ofício, mas que considero simbólica de um impulso geral civilizador. É uma tentativa de estabelecer uma etiqueta básica sobre a agregação do conteúdo alheio.
Você acha correto chegar a um jantar, encher um contêiner com pratos do bufê, voltar para casa e cobrar ingresso por um jantar servido com a comida que levou da cozinha dos outros? Bem-vindo ao selvagem capitalismo digital.
A AOL nunca teria pago US$ 309 milhões pelo Huffington Post se a pioneira Arianna não estufasse sua bolsa com quentinhas recolhidas nas redações alheias. O modelo de negócio do Huff Post, durante seus primeiros cinco anos, foi publicar conteúdo escrito de graça por desconhecidos e celebridades e "agregar" reportagens de empresas que pagam salário a jornalistas, como o New York Times, Washington Post, a revista Time e inúmeros outros, publicando um link para o site original, mas, de fato, copiando tanto conteúdo que o internauta acabava estacionado no site da Arianna e atraindo publicidade.
Este tempo já passou, dirão alguns. Ao encontrar seu pote de ouro no fim do arco-íris, Arianna, a deusa grega da cara de pau, começou a tilintar suas ofertas polpudas para jornalistas da velha mídia, que empacotaram seus laptops e sua credibilidade e se debandaram para o Huff Post.
O faroeste está longe de ser coisa do passado. Mas um basta dado por um jornalista que cobre mídia para a Advertising Age, em 2011, inspirou o nascente Council on Ethical Blogging and Aggregation (Conselho de Blogging Ético e Agregação). Simon Dumenco, o jornalista da Advertising Age, me telefona entusiasmado de Austin, Texas, onde divulgou sua iniciativa para os participantes da badalada SXSW. Uma coluna de David Carr no New York Times, sobre os planos do Conselho, já havia despertado adesões e escárnio, como a manchete do Gawker:
Não Precisamos de Nenhum Fedorento Selo de Aprovação da Polícia do Blog.
Como jornalista, acho que revistas como New York, Esquire, The Atlantic, Columbia Journalism Review e o pioneiro site Slate exalam um aroma muito melhor do que o sensacionalista Gawker. E eles já estão a bordo. O selo de aprovação, no caso, não existe, mas é uma comparação com um conhecido selo da revista de consumo Good Housekeeping que, há mais de cem anos, empresta seu prestígio a produtos que considera de qualidade.
O Conselho de Blogging Ético e Agregação deve se tornar uma entidade sem fins lucrativos em abril. Simon Dumenco está reunindo um comitê que inclui os editores chefes das cheirosas publicações acima e outros, uma mistura de jornalistas com a mão na massa e professores de escolas de jornalismo. "Os bloggers vão continuar roubando", diz Dumenco, e deixa claro que não pensa em ir atrás dos escribas de mão leve, como fez com o Huff Post no ano passado, num episódio de "agregação" que levou Peter Goodman, recém-chegado do New York Times, a se desmanchar em desculpas e punir, naturalmente, o elo mais fraco da corrente, a blogger inexperiente.
Nos planos do Conselho está um sistema de atribuição justa de conteúdo alheio e publicação de links para o material original.
"O nosso interesse é, em parte, educativo", diz Dumenco. "Começamos com a adesão de empresas conhecidas, que contribuem com seus manuais de redação, e vamos recomendar regras de comportamento para usar o material apurado por outros. Sei que o leitor, de maneira geral, não se importa se o que leu é original ou foi copiado de outros repórteres."
Se um número expressivo de empresas de mídia aderirem ao manual de etiqueta imaginado por Dumenco, quem sabe, o tolerável de hoje será o vergonhoso de amanhã.
Afinal, como disse o colunista David Carr, a agregação indecente é como a pornografia. Você reconhece quando se depara com ela. Mas não foi Carr quem cunhou a expressão. Foi o juiz da Suprema Corte Potter Stewart, quando examinava um processo, em 1964.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Deu No Estadão em 14 de Março de 2012

Ética animal


                                                                                                                                                                [Escola de Atenas, de Rafael, com Platão e Aristóteles no centro]
A tradição consagrada da filosofia ocidental, que influenciou toda a nossa maneira de pensar, é fortemente marcada pela orientação racionalista que encontra na matemática, e nas ciências exatas nela baseadas, o seu modelo de verdade; algo que foi exemplarmente exposto por Platão na obra A república, em que as matemáticas (geometria e aritmética) dão acesso ao mundo verdadeiro das Ideias eternas, arquétipos deste mundo sensível, temporal, de sombras. A aritmética e a geometria conduziriam à verdade, pois ocupar-se-iam com aquilo que é fixo e nunca se transforma. A faculdade humana de razão e o mundo diante de nós harmonizar-se-iam na revelação metafísica das coisas, para além das imagens transitórias delas. A faculdade racional, parte boa da alma em oposição aos sentimentos que nos fragilizam, segundo o próprio Platão, deve reger a estes, e desse modo conduzir-nos ao sentido das coisas. Em realidade tem-se já aqui uma ordem numérico-espacial da natureza que poderia perfeitamente ser pensada como um primeiro esboço da chamada matemática universal.
A faculdade de razão, que define o próprio ser humano, é vista desde a Academia grega de Platão, passando pela aurora da filosofia moderna, não só como aquilo que diz corretamente o que é mundo, mas também como aquilo que diferencia o homem do animal. Uma diferença que levou Descartes no século XVII a alertar em sua obra Discurso do método que, após o erro dos que negam Deus, não há outro que “mais afaste os espíritos fracos do caminho reto da virtude que imaginar que a alma dos animais é da mesma natureza que a nossa”. O autor ainda formula explicitamente, na quinta parte desta obra, que o estudo das ciências tem por objetivo tornar-nos “como que mestres e possuidores da natureza”.
Eis aí, notemos, um pensamento que no seu extremo em muito deve ter contribuído para a destruição da natureza e para a crueldade contra os animais observadas em nossos dias e que levou Adorno e Horkheimer a alertarem que o pensamento marcadamente racionalista relaciona-se com as coisas do mundo “como o ditador relaciona-se com as pessoas”, ou seja, “só as conhece na medida em que são manipuláveis”.
Tempos depois Kant não deixará de seguir tais passos platônico-cartesianos no sentido da separação entre um observador e a natureza como seu objeto, em verdade alvo do próprio projeto científico-racionalista de desmistificação do mundo, com concomitante domínio instrumental dele. De fato, uma das imagens mais famosas de Kant, apresentada na sua Crítica da razão pura, é a de que o cientista vai até a natureza não na condição de aluno para ser por ela instruído, mas na de juiz que dela exige respostas às suas questões. Quanto aos animais, a  Fundamentação da metafísica dos costumes os classifica como “coisas”, diferentemente dos seres humanos, que são “pessoas”. As pessoas seriam um fim em si mesmas, não poderiam ser usadas, ou seja, seriam dignas, enquanto as coisas, os animais entre elas, poderiam ser usadas, poderiam ser meios para um fim.
Compreende-se por tais marcos que não é comum à tradição filosófica debruçar-se sobre o tema da dignidade dos animais, sobre o direito deles, visto que separa cuidadosamente a substância racional pensante, o ser humano, e a natureza exterior a ele.
Penso que já é tempo de desconstruir esse ilusório paradigma antropocêntrico. Paradigma que considera o ser humano como a coroa da criação, e que, infelizmente, influenciou marcadamente a filosofia, a jurisprudência, a ciência, enfim, todo o modo de pensar ocidental. Tendemos a conceber o ser humano como o único ser digno. Os animais, ao contrário, são geralmente considerados como coisas, sobre as quais podemos dispor com poderes de vida e de morte como deuses em face das suas criaturas. Esse paradigma que nos impregna pela educação recebida pode no entanto ser paulatinamente revisto. Nessa revisão podem tomar parte todos aqueles que sabem e sentem que no corpo animal pulsa um coração, circula sangue, há sentimentos os mais variados expressos nas mais variadas situações, para não falar que a maioria deles possui sistema nervoso central, logo, são passíveis de sentir dor tanto quanto a gente.
Animal Ethics
The established tradition of Western philosophy is certainly strongly marked by the rationalist orientation, which in mathematics has its model, something exemplary exposed by Plato in his philosophical work The Republic, in which mathematics gives access to the world of eternal ideas, archetypes of the sensible world. This world is a place of simulacra and shadows of the true things, the Ideas. The arithmetic and geometry guide us to the truth, because the numbers and figures point what is always and never perisches. The faculty of reason and the world are in harmony. From this point of view there is an unveiling of the metaphysical truth of things and we go beyond the transitory images of the cavern in which we live. The rational faculty, said Plato, is the good part of the soul and is opposed to feelings. The feelings must be governed by reason, and so there is the revelation of the meaning of existence and of the meaning of the world. In fact we have here a numerical-spatial order of nature that might well be thought of as a first draft of the Cartesian universal science of order and measure, ie, the so-called universal mathematics.
The reason is seen since Plato, and through the modern philosophy, not only as a faculty that says correctly the world, but also as a faculty that distinguishes man from animal. One difference that leads Descartes to assert in his Discours de la méthode that after the error of those who deny God, there is one worst, ie, to say that the soul of animals is similar to that ours. The author also makes explicit, in the fifth part of his cited work, that the study of science will make us masters and possessors of nature. Here we find a thought that in the extreme have contributed to the destruction of nature (and to the cruelty against animals) observed today and which leads Adorno and Horkheimer to warn that the Enlightement only knows the things in the sense that they are manipulated.
Kant does not reject to follow these steps established by Platon and Descartes. In fact  Kant makes a separation between an observer and a nature as his object.  The very project of Enlightenment is the demystification of the world, with a concomitant instrumental domination of him. In this sense one of the most famous images of Kant in his work Kritik der reinen Vernunft is that the researcher goes to the nature not as a student to be instructed by it, but as a judge that requires from the nature answers to his questions. In the case of animals, these are for Kant  “things”, differently from men, who are “persons”.
It is not common to traditional philosphy to focus on the theme of the dignity of animals and their rights. In general the philosophy separates in the one hand rational thinking person, and on the other hand the extended substance, ie, the external nature as an object. The nature is commonly seen as an object that can be used.
What here I intent, with Schopenhauer and Peter Singer, is to explain that there is a Western tradition in order to exercise dominatoin over the nature. This Western tradition goes back to the Bible. This book played a predominant role in the relationship between people and nature in the West: Nature would be created for us, so we could use the nature as we wanted, we could explore animals as mere things without dignity. This point of view influenced almost all Western philosophy. This point of view has also influenced the science and the mentality of Western culture as a whole. It is time, however, to criticize this mentality through the so-called animal ethics. This one considers the animals as “persons” with rights and thus under the full protection of law.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os Aproveitadores, o Lixo e o Fascismo Contemporâneoss

Hoje alguém enviou email comentando sobre minhas resenhas cinematográficas e me fez lembrar deste blog abandonado. Verdadeiramente cansei disso: tornou-se fonte de epifanias consumistas dos escravos de redações de jornais e revistas, de artistas em fim de carreira que não sabem mais oque fazer para alimentar suas almas ressequidas e dos aproveitadores de plantão, sempre aí à cata da sua extorsão de cada dia. Trata-se de uma galeria de facínoras funestos que são as engrenagens disso que hoje verificamos, infelizmente, ser o neo-fascismo da nossa dieta contemporânea. A eles dedico este artigo abaixo reproduzido, publicado na 4ª feira de cinzas de 2012 no Jornal do Brasil on line, juntamente com as montanhas de lixo que o carnaval, seu melhor veículo, deixou nas ruas.
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O fascismo dos "meninos do Rio" 

Jornal do BrasilGilson Caroni Filho  
O que há em comum entre uma moradora de rua agredida a socos e pontapés no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, por três homens de classe média que a acusam de quebrar o retrovisor do carro, e Vítor Suarez da Cunha, jovem estudante brutalmente espancado ao tentar proteger um mendigo que apanhava de cinco delinquentes no bairro Jardim Guanabara, na Ilha do Governador? Ambos foram vítimas de um estrato social que tem como traço ideológico funesto a recusa da cidadania.
Em menos de uma semana, a violência de um segmento incapaz de distinguir o público e o privado, que tem na venalidade uma de suas marcas, que  trata a rua como prolongamento da casa e do quintal, desconhece direitos sociais e políticos, menospreza a condição humana dos que não pertencem à sua geografia social, reiterou, em pontos do estado do Rio de Janeiro, o caráter fascista que lhe é inerente.
Para eles, a liberdade se reduz ao ato de escolher entre várias  marcas do mesmo produto, e a felicidade é  o fim de semana em família esvaziando shopping centers, o consumo do Natal e o Réveillon em uma boate "superluxo". A protegê-los, vigias, olhos eletrônicos, cães de guarda, grupos de extermínio e a polícia violenta que conhecemos, protetora  de “gente de bem”. Quando se lançam em busca das ilusões perdidas, dão início a uma busca feroz, mostrando uma força ideológica assustadora.
Num tempo em que pessoas têm sua condição humana aviltada, morrendo como moscas, fatos como estes não podem, após algum tempo de exposição midiática, provocar, no máximo, apenas bocejos. É preciso deixar de contentarmo-nos em sobreviver, de acreditar que "com a gente não acontece" ou, o que é pior, fazer da vítima o culpado. Recusar a indiferença, persistindo em chamar de acidente uma rotina de mortes e de mutilações, conhecida, anunciada e burocraticamente executada cotidianamente. Nas ruas do Leblon e do Jardim Guanabara, o que aconteceu foi um fato político. E como tal precisa ser combatido.
Como classificar o comportamento dos fascistas de "boa aparência”? Perversão? É pouco. Isto é sordidez, abjeção, cegueira de valores. Mais ainda: é sintoma de uma cultura que faz da sarjeta sua medida moral e que, pouco a pouco, destrói um legado histórico, construído com sacrifício de homens, de povos e de nações. O que está em jogo é a consciência de que a vida é um bem, cuja posse não temos o direito de negar a quem quer que seja. O que estamos esperando? Que a lei da oferta e da procura regule o mercado de massacres e extermínios?
A punição exemplar dos agressores, "gente de boa cepa", é fundamental para que não continuemos a ser uma sociedade moralmente idiotizada. A  barbárie não pode continuar satisfazendo o apetite de quem faz do riso cínico a única saída para a impotência e a covardia. Os fascistas têm que saber que já não contam com o "jeitinho brasileiro" de lidar com o direito à vida e a dignidade física e moral de cada um. Do contrário, a certeza da impunidade continuará ampliando a lista de vítimas. Em um país democrático, não se confunde desejo de justiça com direito de vingança.
Vítor Suarez da Cunha, o jovem de 21 anos, que teve 63 pinos implantados no rosto, deu uma magnífica lição de vida, de solidariedade humana. Muitos escreverão sobre sua atitude, mas nenhum texto será capaz de traduzir sua coragem, seu amor ao próximo, sua consciência de cidadania. Ao afirmar que "faria tudo de novo se preciso fosse", torna-se um símbolo de que a luta política não só é possível como conta com bons combatentes.
* Gilson Caroni Filho, professor, é sociólogo. - Gilson.filhobr@terra.com.br

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Deu na Revista Filmmaker

Entrevista da escritora australiana, roteirista e diretora de "Sleeping Beauty" Julia Leigh, concedida a Scott Macaulay da revista Filmmaker na quarta-feira, 30 de Novembro de 2011
(veja resenha do filme "Sleeping Beauty" neste blog)

"Aprecio o sentido de 'integridade' num filme, que faz com que chegando ao fim, percebo que este 'fim' estava lá, de fato, desde o início".

http://www.filmmakermagazine.com/news/2011/11/sleeping-beauty-writerdirector-julia-leigh/


Quando Filmmaker escolheu a romancista australiana Julia Leigh para sua lista das Novas Caras de 2008, a autora de livros como "O Caçador" (The Hunter) e "Inquietação" (Disquiet) ensinava em Barnard enquanto se estabelecia como uma roteirista de provocantes e nuançados dramas cinematográficos para diretores como Walter Salles e produtoras como como Plano B. Quando a entrevistei ela disse  que escrever roteiros foi originalmente uma forma “da terapia de diversão” enquanto trabalhava em "Disquiet", mas que ela evoluiu para a apreciação do formato. “Atualmente acho que roteiros são ruins de se ler” ela disse em 2008. "Tenho minha cabeça mobilizada pelas convenções básicas — estou me referindo a coisas como o tempo presente, introduzindo personagens com letras maiusculas, um mínimo de parênteses … as regras da apresentação. Perder a introspecção — ou estabelecer explicitamente pensamentos e as sensações dos personagens — foi um desafio. Presto muita atenção às transições entre as cenas: Como fazer esta cena 'cortar' para a seguinte … visualizo-a. Portanto é muito orgânico: Uma cena leva a outra. O filme se expande, cresce e torna-se mais profundo. Coloquei-me no lugar do público; (os espectadores) não vêem um filme em retrospecto, eles não anatomizam sua estrutura em geral. Dito isto, aprecio o sentido de 'integridade' num filme que faz com que chegando ao fim, percebo que este 'fim' estava lá, de fato, desde o início".
Na citação acima, cada um pode sentir o diretor subjacente à porção roteirista de Leigh. E, de fato, o roteiro que colocou Leigh em nossa lista, "Sleeping Beauty", tornou-se, depois de alguns contratempos e reviravoltas, sua estréia na direção. É a história de uma jovem estudante conduzida a uma forma altamente especializada da prostituição, introduzida a cada noite "numa câmara adormecida" drogada e sonâmbula enquanto seus clientes fazem o que ela não pode lembrar-se na manhã seguinte. (Leigh rapidamente me indica, contudo, que a regra da casa é "nenhuma penetração").
"Sleeping Beauty", com produção executiva de Jane Campion, começou sua carreira encantada quando se tornou um dos raros primeiros filmes a serem selecionados para a Competição do Festival de Cannes, onde estreou este ano. Estrelado por Emily Browning como Lucy, a prostituta, e filmado num estilo austeramente imponente, elegantemente vestido e desenhado, o drama misterioso e imparcial de Leigh tornou-se uma seleção controvertida, desafiando público e críticos no inicio do festival. “Eu gosto de insinuar-me embaixo da pele das pessoas”, respondeu Leigh na sua coletiva de imprensa, e, de fato, o controle atrevido e formal do filme confirmou que os seus talentos não estão restritos à página impressa.
Eu conversei com Leigh no Festival de Filme de Toronto, onde o filme teve sua première norte-americana. Estréia nesta sexta-feira nos Estados Unidos distribuido pela Sundance Selects.


Filmmaker: Conte-me sobre a transição de novelista para diretora. Foi uma grande mudança para você?

Leigh: Sinto que ambos vêm do mesmo lugar, as novelas e os filmes. O novelista e o diretor estão ambos trabalhando com  o fluxo do tempo, com as longas narrativas, elaborando mundos complexos,
detalhando personagens, e ambos, espera-se, têm algo a dizer.

Filmmaker: Mas há diferenças em como você trabalha enquanto uma artista?

Leigh: Sim; apesar dos fundamentos serem muito similares, os processos são bastante diferentes. Mas eu acho que aquela solidão que acompanha o escritor também está lá no (trabalho do) diretor pois provavelmente eu era a única que continha o filme inteiro na cabeça em todos os momentos. Mas, sim, eu curti o processo da realização do filme. 

Filmmaker: Eu posso entender o quanto a solidão de um escritor subsiste quando é transposta para o aspecto mental de dirigir um filme, mas o que dizer do aspecto solitário de escrever versus o aspecto coletivo de se fazer um filme? Uma coisa se faz sozinha e a outra cercada por muitas pessoas...

Leigh: Sim, é verdade. Você trabalha com uma porção de gente, mas estranhamente suas relações ainda tendem a ser de um-para-um. Estou me referindo aos cabeças da equipe; eu não me dirijo a um grande grupo de pessoas ao mesmo tempo. No set, percebo que estou cercada de pessoas, mas acho isto perfeitamente ok. Talvez exista uma impressão errônea de que todos os escritores sejam solitários, você não acha?

Filmmaker: E no que concerne ao desenvolvimento do estilo visual, o filme tem uma qualidade formal centrada nisso. O estilo da sua prosa influenciou seu estilo visual?

Leigh: Se há algo de que eu esteja orgulhosa é que meu filme tem qualidades cinemáticas. Em outras palavras este projeto jamais poderia ter funcionado como um livro. Nunca houve um momento em que eu tivesse uma idéia e pensado: "deveria ser um livro ou um filme?" Nunca me ocorreu que seria totalmente prosa. Mas, também, penso ser um tanto perigoso para mim tecer ligações entre todos os meus trabalhos olhando para o passado.

Filmmaker: Em que medida você emprega um tipo de realismo no filme?

Leigh: Eu não estava escrevendo um filme estritamente naturalista. Ao contrário, eu estava procurando, esperava, um realismo evoluido. Tanto na prosa quanto neste filme eu quero estabelecer, digamos, uma atmosfera tonal, que é uma coisa efêmera. Pretendia algo que eu estava acostumada a fazer através de escrever novelas - a importância da atmosfera tonal. Mas quando escrevi o roteiro enfrentei este filme que você vê. Mesmo no primeiro esboço, eu tinha no roteiro esta idéia do ponto de vista da câmera colocada na quarta parede do quarto de dormir - a idéia da câmera como uma suave e constante testemunha. Então aquele estilo visual estava colocado no roteiro em seus primeiros momentos.

Filmmaker: Mas originalmente você não era a diretora do filme - isto é verdade?

Leigh: Quando escrevia o roteiro, não estava necessariamente planejando dirigi-lo mas eu também não o escrevia para ninguém em particular. Escrevia sem nenhuma intenção de dirigir; Eu esperava que de certo modo o roteiro fosse mais um degrau. Eu nunca despertei de manhã dizendo "Sabe, acho que farei um filme". Foi um processo passo-a-passo.

Filmmaker: E sobre a psicologia (ou a falta dela) dos personagens? É um tipo de conto de fadas. Existe quase uma qualidade metafórica para ele. Dirigindo Emily Browning, que tipo de coisas você pensava em termos psicológicos para alguém naquela situação? Você dava para ela as motivações convencionais ou era mais sobre ser um personagem de conto de fadas?

Leigh: Bem, o mundo é um lugar muito estranho (risadas). Com Emily, primeiramente, acho que ela executou uma grande performance. O papel era muito exigente. Quero dizer que isto dividiu os atores. Alguns não queriam fazer isto, outro o queriam mas seus agentes não o admitiam. E outros como Emily realmente queria fazê-lo. Ela entendeu
completamente o roteiro  desde o início e soube que o que tinha de fazer era ser fiel a ele. Então, foi de fato bastante objetiva. Eu sinto que a qualidade que ela trouxe para seu papel foi de um sentimento de tranquilidade, teimosia e relaxamento. Não a vejo como simplesmente passiva. Eu vejo uma personalidade mais radical - talvez sua perversa provocação para o mundo seja: "Estou olhando para lá, experimente-me"

Filmmaker: Você vê isto como uma qualidade tonificadora ou debilitante?

Leigh: Bem, lembro que foi como se eu estivesse nos meus 20 e poucos anos, que não vejo como uma época muito fácil da vida. Eu penso que as viagens daquela passagem da vida são muitas vezes subestimadas. Algumas vezes acho ser impossível interpretar com sabedoria as coisas que não sejam dos seus melhores interesses, mesmo indo o mais longe possível até obter um compromisso para permanecer vivo. Estar vivo não é algo que se adquire por uma concessão.

Filmmaker: O filme teve uma reação controversa na sua première. O que lhe surpreendeu naquela primeira projeção em Cannes?

Leigh: Estou muito feliz pela forma com que o filme tem sido recebido. Estivemos na competição principal em Cannes. Aquilo foi ótimo. E vendemos o filme amplamente e isto também foi muito bom. E o filme parece ter dividido as platéias (risos).

Filmmaker: Como é sentir a pressão da competição? Seria muito diferente se você estivesse no Directors Fortnight ou no Un Certain Regard?

Leigh: Olha, eu realmente não conheço nada melhor (risos).  Suponho que o desafio foi experimentar realmente estar presente e não desassociada - classificada como realmente estando ali. Estava muito consciente que em duas semanas eu estaria de volta a Sidney e tudo teria terminado (risos). Então tentei gostar daquilo. Sabe, sou uma escritora, sou tão observadora que foi
quase como se eu estivesse interpretando o papel de uma antropóloga em Cannes (risos).

Filmmaker: Qual foi a faísca desta idéia básica? Eu conheço um conto de Kawabata com um enredo similar.


Leigh: Eu li e amei duas novelas muito conhecidas: uma de Yasunari Kawabata (A Casa das Belas Adormecidas), e outra de Gabriel Garcia Marquez (A Bela Adormecida e o Avião). Ambos contam a história do ponto de vista de um homem mais velho que pagam para passar a noite com uma menina drogada. Mas este tipo de história tem longos antecedentes. Estou me referindo à Bíblia quando o Rei David decide passar a noite ao lado de virgens adormecidas. E claro, existe também o conto de fadas "A Bela Adormecida" que é relatado a todas as meninas bem novinhas. E você ainda tem o fenômeno da meninas que dormem na internet.

Filmmaker: Que fenômeno é este?

Leigh: Bem... você precisa procurá-lo (risos).

Filmmaker: Conte-me um pouco sobre isto.

Leigh: ...É que alguns recônditos e recantos do mundo da pornografia têm imagens de garotas adormecidas. Este tipo de coisa existe. Está lá. É algo a que eu reagi e que estou reciclando. Eu provavelmente diria que este filme inclina-se mais na direção do lado da polarização do sexo e da morte, se você entende o que eu quero dizer. E acho que vale a pena mencionar que é a representação de homens mais velhos que são vistos quando Lucy está adormecida que fazem o filme funcionar. Eles o fazem funcionar como um todo, como uma totalidade, porque temos um retrato de Lucy em sua juventude e depois temos estes homens velhos cujas experiências são satisfazer-se com a juventude. Para mim, isto faz a história mais rica do que simplesmente um retrato convencional da juventude. Também no que concerne à narrativa, é mais interessante que você esteja com Lucy sabendo mais do que ela sabe.  A platéia sabe o que acontece na câmara, mas Lucy não. Eu acho que este conhecimento da platéia aumenta sua tensão interior.

Filmmaker: Qual serão seus próximos passos como diretora e escritora?

Leigh: Adoraria continuar fazendo ambos: escrevendo novelas, dirigindo filmes — meus próprios roteiros, provavelmente como uma diretora, e
talvez continuarei a escrever roteiros para outras pessoas dirigirem. Estou tentando resistir a ser atualizada para qualquer uma dessas disciplina. Penso que estamos todos incrivelmente adaptáveis e talvez devamos tirar nossos chapéus, aposentá-los, e trocar por um novo (risos).

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Der Leone Have Sept Cabeças

DER LEONE HAVE SEPT CABEÇAS
(Idem)  de Glauber Rocha - Brasil, Italia e  França, 1970


Dez anos após os belgas terem-se escafedido do Congo, lá chegava Glauber Rocha insensado pela comunidade cinematográfica internacional pelo prêmio de melhor direção em Cannes, 1969. Seu filme "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" estreou no Brasil no rastro deste prêmio atiçando minha curiosidade, eu que não havia dado a menor pelota para "Deus e o Diabo Na Terra do Sol" e desconfiava de "Terra em Transe" mais por estar àquela época proibido pela censura.
Então lá fui eu, com minha caderneta escolar falsificada conferir o que é que a baiana tem, além da cascata de quitutes e enfeites que jorravam da cornucópia sem fundo daquela manjada canção que na minha infância fazia-me crer que na Bahia todo dia era dia de Cosme e Damião.
Confesso que precisei me esforçar bastante para digerir aquele filme-alegoria de São Jorge, seja por minha imaturidade, meu acervo cultural ainda em formação, mas muito mais seduzido pela exuberância das estranhíssimas composições cinemáticas totalmente na contra-mão do cinema narrativo habitual da minha dieta cinematográfica. A cada sequência me deparava com um novo desafio e os encarei todos, na certeza de que sairia dali com uma plêiade de personagens, cores, cantigas e histórias grudados em meu calcanhar pelas esquinas da cidade. Mordia a ponta de uma fita, degladiando-me com a estética glauberiana, que mordia a outra extremidade tal como os personagens daquela interminável sequência que teimava em testar minha resistência.
Lá fora olhei bem para o mundo do cinema e reparei que naqueles dias esta arte estava sendo sacudida por dezenas de novas posturas, pelo aparecimento de várias teorias e pareceres críticos, todos mobilizados em explicar e ratificar maneiras diferenciadas de contar uma história através de modelos narrativos fora do beabá das cartilhas de praxe. A cada novo filme assistido eu era assaltado pela exigência da minha participação ativa, alerta, e pelo abandono da confortável postura soporífera semi inconsciente que os antigos filmes me lançavam, até à incorporação desses novos cânones como regra estabelecida e irrefutável em meu imaginário cinéfilo. Na maioria das vezes eu saia dali aturdido com muitas perguntas e invariavelmente sem respostas suficientes.
Ter vivido intensamente e participado desta época de transformações de linguagens, de efervescência cultural e assentamento de novas posturas pessoais frente ao novo mundo que estava surgindo, fez de mim um produto orgânico daquele tempo, graças a Deus não um porta-voz de manuais enciclopédicos de referência. Desde então ao longo de uma extensa estrada e muitas águas roladas, estas transformações subsistem e compõem a essência daquilo que, enquanto espectador, formam o extrato do meu processo de ressignificar e recuperar o tempo defasado contido na leitura de um filme, como forma de tributá-lo ou homenageá-lo através da minha experiência pessoal e intransferível.
Foi movido por esta curiosidade que me dirigi à Casa da Moeda, magnífico palácio restaurado no centro do Rio de Janeiro para, dentro da programação 2011 do Festival do Filme de Arquivo (Recine), um evento de perfil abertamente politizado, assistir a uma sessão da cópia cuidadosamente restaurada do filme que Glauber viria a realizar naquele longínquo 1970, ao pisar na África com um argumento de pouquíssimas páginas e uma equipe multinacional: "Der Leone Have Sept Cabeças".
Na escuridão da noite, a céu aberto, no pátio onde se encontrava esticada a tela, antes de iniciar a sessão, foi convidada a sra. Paloma Rocha, filha de Glauber, para fazer a apresentação do filme. Imersa naquelas trevas não havia como reconhecer nela um produto by Glauber seja pelo aspecto físico, seja pela pálida e tímida - anti-propriedades glauberianas - abordagem daquilo que ela considerou uma homenagem ao pai, a apresentação da cópia restaurada por italianos e brasileiros, ela incluída. Situou cronologicamente o filme na obra dele explicando sua gênese a partir do prêmio obtido em Cannes, tudo muito sucinto como deve ser, acrescentando que era um filme político e que seria distribuido um jornal com explicações.
Perguntei-me: explicações de que? Um filme, assim como uma pessoa, conforma-se num todo segundo suas propriedades intrínsecas e intransferíveis, bastando-se por elas. Fosse o jornalzinho explicativo, o livro vermelho de Mao, a Declaração dos Direitos do Homem, Mein Kampf, a Biblia, o Livro de Receitas da Dona Benta ou o catecismo da primeira comunhão, nenhum deles modificaria um mínimo a interação da obra com as diferentes interpretações advindas das experiência e bagagem cultural de cada um que a considere. É nesta variedade de aproximações que uma obra como esta, realizada há 40 anos - em condições políticas, geográficas, existenciais, etc. completamente diferentes - sobrevive. Eu fui buscar ali aquilo que este filme dizia em referência à sua própria coerência contextual e à verificação dos sistemas de significação a que ele se refere. E também aquilo que eu mesmo procuro em relação aos meus próprios desejos e pulsões. Um filme só completa sua função no circuito cultural quando a plateia o ratifica enquanto acontecimento artístico e lhe atribui novos sentidos.
Foi então que surgiu o primeiro dos 14 aviões das mais diversas procedências e dimensões que àquela hora sobrevoaram aquela instância de uma África arrasada por nações estrangeiras armadas em busca das suas riquezas, seu ouro e da exploração dos seus habitantes, durante toda a projeção, em direção ao aeroporto Santos Dumont, um espetáculo à parte. Tive vontade de fazer um aviãozinho de papel com o mimo da produção mas me contive por que iniciou-se a sessão.
Logo de cara explodiram na tela os seios da louríssima atriz sérvia Rada Rassimov (a famosa quem?) freneticamente massageados por mãos cabeludas (De quem? Perguntem ao doutor Alzheimer; mas eu desconfio que eram as de Gabrielle Tinti, o mesmo que apertava os de Norma Benguell na vida real). Eu pensei: "Ai que sacanagem! Trocaram o rolo por um daqueles filmes udigrudi que eu assisti na cinemateca do MAM quando eu era um rato e morava dentro da letra T da escultura que ficava em baixo da tela" (morri no incêndio criminoso que torrou mais da metade da obra do pintor uruguaio Joaquin Torre-Garcia).
Ledo engano: enquanto os peitinhos da loura pulavam, sofriam, meus ouvidos eram assaltados pelo rugido de um dragão (da maldade) vociferando que ela, Marlene, um tipo de Lilith superpoderosa, tinha o privilégio de ocupar o seu trono e não aceitar as palavras da Criação. 

Eu pensando: "Este filme nunca poderia ser produzido ou exibido naquele Pra-Frente-Brasil de 1970 ao reivindicar guerrilheiros, revolução, liberdades individuais, coletivas e a resistência. Esta concepção cinematográfica de cunho sociopolítico, concebida com um raio de ação internacional, orienta-se em direção a uma congruência de fatores universais por intermédio da fusão de diversos movimentos da época que, valorizando as culturas populares originais, formaram uma inter-relação estética e ideológica. Isto fica patente em todas as imagens totêmicas e alegóricas, de um colorido maravilhoso que se multiplicam com uma generosidade ímpar neste filme, apesar do fotógrafo Guido Cosulich não saber fotografar negros: suas imagens da negritude são chapadas e quase sempre mergulham suas expressões faciais nas trevas. Faltou descolonizar sua técnica ou adaptar sua ideologia pessoal.
Estas representações têm o mesmo valor agregado e a mesma sintetização didática dos ícones da gente brasileira pintados por Eckhout, holandês invasor em busca de nossas riquezas. E todos os rituais, por exemplo o funeral do homem negro, têm, por suas excessivas reiterações, um caráter redundante que os aproximam de uma visão arquetípica e totêmica de almanaque. Estes fatores, dentre outros, projetam algumas posturas do cineasta na mão inversa das suas intenções anti-colonialistas. Isto se explica pelo fato de o cinema não ser um veículo par excellence de transformação dos homens como propõe o teatro épico, cujas técnicas e teorias adaptados para o telão configuram no máximo um manual didático de formas da dominação entre as nações ou de um homem pelo outro. E tudo aqui é bastante claro, direto e sem meias-palavras.
Neste filme há uma extensão desta pré-globalização setorial intuída pelo gênio criativo de Glauber Rocha, que não só açambarca vários idiomas como em seu título, organicamente misturados no rastro de uma fábula incorpórea, como também antecipa a dominação esmagadora e irrefutavelmente instrumentalizada pela tecnologia em nossos dias - o "cérebro eletrônico" como se refere no filme - um tipo de coadjuvante das armas apocalípticas das nações ricas, que sem pedir nem exigir nada, só cumprindo ordens, executam sem protestar aquilo que seus donos querem, espelhando o modelo e a forma ideal que um homem dominado tem para se relacionar com o mundo.
Na verdade, após "Barravento", o "Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" e "Terra em Transe" verifico que o Glauber Rocha posterior pouco ou nada se alinhava com o que hoje conhecemos como Cinema Novo. Sua estética, vocabulário, a antropofagia intelectual mirabolante, sua carpintaria dramatúrgica - gestada nas fontes dos teatros de agitação e propaganda de Piscator e do teatro épico de Brecht - o distinguiam como um criador suis-generis, possuidor de gramática própria, indigesta e necessária para sacudir as teias de aranhas acumuladas nos tetos das igrejinhas, dos manifestos e clubinhos terceiro-mundistas que alimentavam a cena cinematográfica no Brasil. Dali sairam muitos dos recursos, mise-en-scènes e posturas que se tornaram referências para os posteriores udigrudis, dos anarquistas da boca-do-lixo, do terror caboclo de Mojica Marins e quiçá, de maneira paródica, da pornochanchada.
Aquela fase de "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça" parece ter sido substituida, por uma necessidade patente de ficar bem politicamente na fita e jogar para as platéias esclarecidas, por "um amontoado de teorias na cabeça e um prêmio na mão".
Quando o pregador Jean Pierre Léaud, aos gritos do seu tom operístico exacerbado e sempre de marreta na mão, investe contra o solo africano para dali extrair suas riquezas, é impossível não lembrar de Guará Rodrigues esfaqueando o asfalto sofregamente aos brados de "O Petróleo é Nosso", em algum dos geniais filmes de Rogério Sganzerla.
Então passou outro avião, vindo de Pasárgada para o Rio de Janeiro. Descreveu um arco tão deslumbrante que foi impossível não acompanhá-lo enquanto na tela uma turba de negros acompanhava atentamente um desfile de homens brancos armados até aos dentes, que, conforme Zumbi afirma, chegaram para dizimar seus jaguares, caçar seus leões e excomungar deuses há 2000 anos assentados em sua cultura. É um plano de mais ou menos dois minutos, marchando da direita para a esquerda e da esquerda para a direita (para ser lido a gosto), que continuou até mesmo após a passagem do jatinho particular de algum empresário muy amigo, carregando em seu bojo o ministro ou o governador para pegar uma praia em Angra ou para os embalos de sábado à noite. Este quase me causa um torcicolo.
Estas falcatruas, conchavos, as vilezas, a malversação do erário público, tudo isto sempre foi moeda de troca entre os vorazes dilapidadores da propriedade alheia através das gerações, e "Der Leone..." logicamente não se furta em incluí-los em sua galeria de arquétipos da sordidez institucional. Temos aqui o governador-fantoche, uma composição hilária de René Koldhofer, raiz de tantos genocidas que aterrorizaram terras africanas (e alhures) escravizando seus próprios povos financiados e apoiados pelos interesses de nações escusas (Jean-Bédel Bokassa, Houari Boumediene, Moussa Traoré, Anwar Sadat, Idi Amin, Robert Mugabe, Omar Hasan Ahmad al-Bashir, Muammar Gaddafi, dentre muuuuuitos), assim como um guerrilheiro latino-americano extraviado (ou recém-reencarnado?), capturado e amarrado com uma corda no pescoço, conduzido como um cão ao sabor dos sept vents e das seven cabezas of a leone, impedido de alcançar sua meta: fazer a revolução.
That's the question: Rivoluzione. O que este filme expõe, enquanto desfila sua visão apocalíptica ou manual de sistemas de governo, é que fazer a revolução não é o mais importante, mas sim encontrar o seu caminho.
E qual é o caminho da revolução? A superação do complexo de vira-latas que assola o terceiro mundo?, indaga.
Neste ponto fritaram um ovo em alguma sala contígua ao pátio. O cheiro se espalhou enquanto trocavam para o segundo rolo e meu estômago roncou. Eu disse: "Quieto aí amigo, que depois deste filme eu te prometo que nós vamos cair de boca na decadência burguesa ocidental. E com ela encher nosso papo".
Quando recomeçou a projeção eu já me achava com direitos adquiridos pela recepção da obra para modificá-la incrementando sua existência através do meu processo pessoal, não só das condições de produção e premissas básicas contidas naquelas poucas folhas do argumento, mas também  pelo desejo alucinado de dançar rock ao som da Marselhesa cantada por Clementina de Jesus, ou esbravejar em português contemporâneo minha versão transgressora dos versos elegíacos dos feitos dos conquistadores lusitanos que nos arremessaram no atraso e enraizaram todas os miasmas que grassam até hoje no Bananal - difícieis de serem extirpados por mais que se mude a paisagem - celebrados em "Os Lusiadas" de Luis de Camões,
recitados por Hugo Carvana  numa apoteose vefremdungseffectiana.
A exacerbação deste efeito de distanciamento levou a obra de Glauber ao climax cinematográfico alcançado em sua obra final, "A Idade Da Terra", 1980 , completamente subversiva dos padrões cinematográficos, incorporando bastidores das filmagens como matéria de primeiro plano ou coadjuvante da ação principal, instaurando o diretor como personagem e vice-versa, juntando banda sonora não editada, colocando a novidade da exibição de rolos de forma aleatória, de forma que a cada exibição o filme teria configurações (e entendimentos) diferenciados. Logicamente que os exibidores engessados não toparam este dernier cri.
Tantas novidades me leva crer que Glauber, se não tivesse sido arrancado prematuramente de nosso convívio, certamente teria inventado um outro cinema  ou algo além dele, não mais esta modalidade de projeção de celuloide ou digital sobre uma tela, ou de dados armazenados num arquivo flutuando numa nuvem da websfera globalizada.
Pelo seu entendimento da narrativa como agregadora de elementos diversos com vários níveis de conexão, teria inventado por exemplo o cinema-pílula, em que o ilustre espectador experimentaria uma imersão na narrativa através de variantes disponíveis numa bula, prefixadas como elementos de várias disciplinas a serem conjugados, transformados, descartados, etc. segundo necessidades terapêuticas, didáticas e educacionais. Ou ainda teria inventado uma conjugação audio-visual de admiráveis máquinas de sonhar em que os "cinéfilos" experimentariam a possibilidade eletiva de se inserir na narrativa vendo-se ouvir, ou vice-versa, ouvindo-se ver, ultra-experimentando todas as configurações possíveis.
Sua morte o fez escapar da exposição a vários desastres do cinema brasileiro, a maioria feita com o dinheiro do contribuinte, como "Quarup" de Ruy Guerra, "Quilombo" de Carlos Diegues, "A Suprema Felicidade" de Arnaldo Jabor, as comediotas que falam a mesma linguagem dos folhetins alienantes da Globo Filmes e a maioria dos filmes anódinos de Walter Salles.
Neste ponto instaurou-se como num passe de mágica, como o milkshake de um pó instantâneo, o caminho da revolução e a própria em si mesma, herself, indeed. 

Não sei por que cargas d'água, nem me perguntem - e isto nem o doutor alemão teria recursos para explicar - se o que distraiu minha atenção foi a passagem do jatinho vindo do Além voando mamãe mortinha dando adeus pra mim na janelinha, ou se o tédio em que fui arremessado pela arenga de sempre e a encheção de linguiça que alimentam proselitismos e demagogias sobre o sofrimento e a repressão de povos escravizados (mantendo sempre uma aura romântica dos esquerdistas como propaganda para adesão de novas ovelhas perdidas no meio do tiroteio, repastos das conveniências funestas da nomenklatura) - ou seja lá o for que atrapalhou o filme no momento crucial de sua virada: a tomada do poder pelo guerrilheiro recém-reencarnado libertando os povos nativos (ganha o troféu Curisco quem conseguiu ler esta frase sem respirar; mas há piores).  
Foi tudo tão rápido e esquemático, os planos tão velozes quanto um tiro certeiro ou uma ejaculação precoce Na dúvida e na incerteza do meu aturdimento remoí informações adquiridas em, por exemplo, "Rumo À Estação Finlândia" (Edmund Wilson) ou "A Ditadura Envergonhada" (Elio Gaspari) e não encontrei nenhum indício da instauração num piscar de olhos, como um gol da virada, de um golpe ou de uma revolução.  Só me dei conta da situação quando um longuíssimo plano em que Zumbi aparece entronizado no centro de um regimento de guerrilheiros negros disparando sua artilharia pesada para o alto me sacudiu os sentidos: de repente os colonizadores estavam amarrados na carroceria de um caveirão, Marlene desorientava carpindo seu desespero completamente nua, arrastando-se qual um velho guepardo numa gaiola (de onde foi arrastada por Jean Pierre Léaud de olho grande em suas formas avantajadas) e uma extensa coluna de ex-escravos, guerrilheiros negros armados até os dentes, o mesmo modelito, subia rumo ao futuro da sua maravilhosa selva reconquistada. 
Dadas as dimensões e implicações do evento procurei  escafeder-me discretamente do recinto antes que descobrissem minha identidade secreta, espião da CIA.  Mas eis que fritaram o segundo ovo, e, indócil, "Minha Adorável Ofídia" (The Jararaca Inside Me, de danilogo, Brazil, 2011) não se conteve e berrou: "Com esta fome eu comeria agora uma descomunal fritada dos ovos desses nativos!". Pano rápido!
Depois de saciada minha fome ancestral pensei com calma em Glauber que, coitado, depois de tanto duelar as antigas formas do cinema, bem que poderia ter encontrado um caminho, ou melhor, feito o caminho de volta em direção à visceralidade da  interação sem reservas, ao vivo e com todas as cores, trafegando entre as esferas do que é assistido e a do como é exibido, integrando um público não necessariamente passivo, mas opcionalmente protagonista tanto consciente quanto involuntário da milenar e
imortal arte  do ...Teatro, seu estofo, sua matéria-base.
Cotação? Uma estrela, aquela cravada na boina de Che Guevara.