Deu no NYT:
Filmes Tentam Escapar da Irrelevância Cultural
Filmes Tentam Escapar da Irrelevância Cultural
Por Michael Cieply
Los Angeles – Em 24 de Fevereiro Hollywood se voltará para o
Oscar. Mas parece estar se sentindo como se fosse “A Última Sessão de
Cinema” (The Last Picture Show,1971).
A próxima cerimônia de premiação da Academia - a 85ª desde 1029 –
se afogará numa piscina de angustia em relação aos filmes e ao que parece ser
sua escassa atual conexão com a cultura popular.
Depois do choque do declínio de ingressos vendidos no mercado
doméstico no ano passado, 28 bilhões, o mais baixo desde 1995 (e a tendência é
só um pouco melhor este ano) o pessoal da indústria do cinema têm lutado
silenciosamente para corrigir oque publicamente pode parecer uma falência.
O que significa o controle de Hollywood sobre a imaginação
popular, particularmente quando voltada para filmes mais sofisticados nos quais
orbita a temporada das premiações.
Vários grupos da indústria, incluindo a Academy Of Motion
Pictures Arts And Sciences que premia com o Oscar, e a não comercial American
Film Institute, que patrocina o cinema, estão queimando os neurônios em
particular, empenhadas no lançamento de campanhas públicas para convencer o
público que cinema ainda é relevante.
Isto se evidenciou apenas poucos anos atrás. Mas o clima recrudesceu
quando as pessoas da indústria se conscientizaram das mudanças nos caminhos da
televisão. Mesmo a maior noite do cinema seguirá aquele padrão: a Academia escalou
Seth MacFarlane, um poderoso escritor/produtor de televisão para mestre de cerimônias
do Oscar.
“Shakespeare escreveu seus sonetos muito depois desta forma de
poema ter saido da moda”, escreveu James Schamus, um roteirista e produtor que
também é executivo da Focus Filmes, num email semana passada.
George Stevens Jr., o fundador do American Film Institute, disse
que ele nunca deveria se rebaixar “como Cassandra”, numa exposição para membros
da Academia de Cinema, ao aceitar seu Oscar honorário no banquete do Governor
Awards em 1º de Dezembro.
“Acho que os filmes acharão seu caminho, mas este é um tempo de grandes
mudanças”, disse o Sr. Stevens. Ele falou por telefone na semana passada da sua
preocupação a respeito da pressão constante sobre exibição em celulares e
tablets que estariam embotando o espírito dos filmes. No passado, ele disse –
citando “O Homem Que Não Vendeu Sua Alma” (A Man For All Seasons”, 1966, “8 ½” (idem,
1963) e “Rastros de Ódio” (The Searchers, 1956) – havia uma grandeza nos filmes
que veiculavam longas histórias sobre as grandes telas.
Mas a prospecção de que um filme vai incorporar-se na
consciência cultural e histórica do publico americano na maneira de “E O Vento
Levou” (Gone With The Wind, 1939) ou da série “O Poderoso Chefão” (The
Godfather, 1972/90) parece enormemente enfraquecida numa época em que o conteúdo
em fatias mais finas e os filmes consumidos em grande escala sempre carecem de
profundidade.
Enquanto a temporada dos prêmios não se inaugura, os filmes
ficam cada vez menores. “The Master”, 2012, um estudo de personagem em 70 mm.
muito elogiado pelos críticos, foi assistido por 1,9 milhões e espectadores.
Isto é muito menor do que a audiência de um único episódio de programas de TV a
cabo como “Mad Men” ou “The Walking Dead”.
“Argo”, 2012, outro competidor do Oscar, teve 7,6 milhões de
espectadores durante o fim de semana. Se o interesse do público continuar ele
poderá eventualmente empatar
com a audiência de uma única noite de um episódio de “Glee”.
A fraqueza dos filmes têm múltiplas raízes.
Filmes, enquanto nas salas e exibição, sobrevivem atrás de uma
bilheteria; televisão é grátis depois que a assinatura é paga a cada mês. E pelo
menos desde a sofisticada série de TV “Os Sopranos” (The Sopranos), as demais
aprenderam a segurar os espectadores em longas temporadas de desenvolvimento de
seus personagens; filmes fazem o mesmo em franquias de fantasia como a série “Twilight”.
E o colapso das receitas de home vídeo, em parte por causa da
pirataria, diminuíram os salários no cinema. A televisão,
enquanto isso aumentou seus pagamentos, atraindo estrelas do cinema como Al
Pacino, Dustin Hoffman, Laura Linney, Claire Danes e Sigourney Weaver.
A venda de ingressos para filmes de gênero como “Busca
Implacável 2” (Taken 2, 2012) ou a comédia popular “Ted”, (Idem, 2012), do Sr.
MacFarlane continua forte. E um novo público internacional, particularmente da
China, deu novo fôlego à visibilidade de blockbusters como o “Os Vingadores” (Avengers,
2012) da Marvel ou “Batman, O Cavalheiro Das Trevas Ressurge”(Dark Knight Rises,
2012).
Mas o número de filmes realizados pelas divisões especiais dos
principais estúdios, que apoiaram vencedores do Oscar como “Quem Quer Ser Um
Milionário” (Slumdog Millionaire, 2008) da Fox Searchlight, caíram para 37 filmes
no ano passado, 55% a menos que os 82 filmes de 2002 de acordo com a Motion
Picture Association of America.
Este declínio deixa muitos espectadores desapontados.
“Eles ficam intrigados”, disse o crítico David Denby. “Estão um
pouco perplexos”. Ele estava se referindo àqueles que aplaudiram seu argumento –
ambos feitos num ensaio da revista New Republic, “Hollywood Matou Os Filmes?” (Has
Hollywood Killed The Films?) e em um novo livro, “Os Filmes Têm Futuro?” (Do
The Movies Have a Future?) – que a sobrevivência da força dos filmes dependerá da
volta dos estúdios às produções mais modestas, mas poderosas em relevância cultural.
“Se não construírem seus futuros, cavarão suas próprias sepulturas”,
o Sr. Denby disse.
Sr. MacFarlane; os produtores do Oscar, Craig Zadan e Neil
Meron; e o presidente da Academia, Hawk Koch, declinaram através de uma
portavoz da Academia, discutir os desafios de celebrar os filmes.
Alguns membros da Academia disseram privadamente que ficaram
surpreendidos com a escolha do Sr. MacFarlane para mestre de cerimônias, no que
parece ser um aceno aos telespectadores que se aglomeraram em torno do seus
sucessos televisivos, notadamente “The Family Guy”.
Mas Henry Schafer, um vice-presidente executivo da Q-Scores
Company, que mede a estatística popularidade das celebridades, disse que “Se a
ideia é atrair o público jovem, eu penso que eles tomaram a medida correta”.
Ainda, Daniel Tosh, o âncora de “Tosh. O”, uma série de sucesso da
Comedy Central apresentando vídeos toscos da internet e ridicularizando seus
participantes, deu voz aos céticos: Depois de mostrar um clip de dois homens russos
jogando uma granada ao redor de seu próprio barco e explodindo-a o Sr. Tosh
sentenciou “É uma ideia melhor do que ter o Sr. MacFarlane como mestre de
cerimônias do Oscar”.
A questão em torno do Sr. MacFarlane que dirigiu e emprestou sua
voz à boca suja do ursinho “Ted”, (Idem, 2012) - sua principal contribuição ao
filme - deixou a Academia coçando-se à procura de caminhos que tragam o público
de volta para o tipo de filmes que ela tradicionalmente exalta. Seus membros,
por exemplo, têm observado a possibilidade de angariar diretores que tenham
realizados filmes ganhadores de prêmios de melhor filme para juntar-se à promoção
de uma campanha nos cinemas. Em Los Angeles a Academia também está construindo
um Museu do Cinema, uma vitrine para a mídia.
Separadamente, a National Association Of Theatre Owners
(Associação Nacional dos Donos de Cinemas) recentemente fez uma enquete com
relações públicas e consultores de propaganda para apresentar proposta de um projeto
similar.
Membros do Conselho do Film Institute também têm procurado
caminhos para promover um novo interesse nos filmes, disse Bob Gazzale, seu
presidente. Sr. Gazzale disse ser muito cedo para discutir detalhes, mas outra
pessoa elencada na iniciativa disse que o grupo tem considerado fatores tão
distantes como aproximarem-se de políticos proeminentes – disse, Bill e Hillary
Rodham Clinton – como supervisores de programas para premiações de filmes. A
meta seria restabelecer a conexão com espectadores que mudaram suas direções
culturais.
Em uma discussão na Colorado State University este mês, Allison
Style, uma estudante de jornalismo, sugeriu que a Academia ajudou a quebrar a
conexão entre sua geração e grandes os filmes em 2011 quando escolheu “O
Discurso do Rei” (The King’s Speech, 2010) que olhava para trás, ao invés de “A
Rede Social” (The Social Network, 2010), que olhava para frente.
“Então, o que aquilo significa para nós enquanto cultura?” A Sra.
Style alertou para o vácuo que pode ocorrer se os melhores filmes forem embora.
O buraco, disse o Sr. Gazzale para quem a pergunta foi formulada,
deve ser dos maiores.
“Os filmes nos recordam de nossos batimentos cardíacos comuns”,
falou.
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Brooks Barnes contributed reporting.
Correction: October
30, 2012Because of an editing error, an article on Monday about Hollywood’s efforts to restore cultural relevance to the movies described incorrectly the decline at the domestic box office last year. The decrease was in tickets sold, to 1.28 billion; it was not a decline in ticket sales revenue to $1.28 billion.
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Para quem quiser ler o original:
http://www.nytimes.com/2012/10/29/movies/hollywood-seeks-to-slow-cultural-shift-to-tv.html?src=dayp
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