terça-feira, 30 de outubro de 2012

Filmes Tentam Escapar da Irrelevância Cultural



Deu no NYT:
 
Filmes Tentam Escapar da Irrelevância Cultural
Por Michael Cieply

Los Angeles – Em 24 de Fevereiro Hollywood se voltará para o Oscar. Mas parece estar se sentindo como se fosse “A Última Sessão de Cinema” (The Last Picture Show,1971).

A próxima cerimônia de premiação da Academia - a 85ª desde 1029 – se afogará numa piscina de angustia em relação aos filmes e ao que parece ser sua escassa atual conexão com a cultura popular.
Depois do choque do declínio de ingressos vendidos no mercado doméstico no ano passado, 28 bilhões, o mais baixo desde 1995 (e a tendência é só um pouco melhor este ano) o pessoal da indústria do cinema têm lutado silenciosamente para corrigir oque publicamente pode parecer uma falência.
O que significa o controle de Hollywood sobre a imaginação popular, particularmente quando voltada para filmes mais sofisticados nos quais orbita a temporada das premiações.
Vários grupos da indústria, incluindo a Academy Of Motion Pictures Arts And Sciences que premia com o Oscar, e a não comercial American Film Institute, que patrocina o cinema, estão queimando os neurônios em particular, empenhadas no lançamento de campanhas públicas para convencer o público que cinema ainda é relevante.
Isto se evidenciou apenas poucos anos atrás. Mas o clima recrudesceu quando as pessoas da indústria se conscientizaram das mudanças nos caminhos da televisão. Mesmo a maior noite do cinema seguirá aquele padrão: a Academia escalou Seth MacFarlane, um poderoso escritor/produtor de televisão para mestre de cerimônias do Oscar.
“Shakespeare escreveu seus sonetos muito depois desta forma de poema ter saido da moda”, escreveu James Schamus, um roteirista e produtor que também é executivo da Focus Filmes, num email semana passada.
George Stevens Jr., o fundador do American Film Institute, disse que ele nunca deveria se rebaixar “como Cassandra”, numa exposição para membros da Academia de Cinema, ao aceitar seu Oscar honorário no banquete do Governor Awards em 1º de Dezembro.
“Acho que os filmes acharão seu caminho, mas este é um tempo de grandes mudanças”, disse o Sr. Stevens. Ele falou por telefone na semana passada da sua preocupação a respeito da pressão constante sobre exibição em celulares e tablets que estariam embotando o espírito dos filmes. No passado, ele disse – citando “O Homem Que Não Vendeu Sua Alma” (A Man For All Seasons”, 1966, “8 ½” (idem, 1963) e “Rastros de Ódio” (The Searchers, 1956) – havia uma grandeza nos filmes que veiculavam longas histórias sobre as grandes telas.
Mas a prospecção de que um filme vai incorporar-se na consciência cultural e histórica do publico americano na maneira de “E O Vento Levou” (Gone With The Wind, 1939) ou da série “O Poderoso Chefão” (The Godfather, 1972/90) parece enormemente enfraquecida numa época em que o conteúdo em fatias mais finas e os filmes consumidos em grande escala sempre carecem de profundidade.
Enquanto a temporada dos prêmios não se inaugura, os filmes ficam cada vez menores. “The Master”, 2012, um estudo de personagem em 70 mm. muito elogiado pelos críticos, foi assistido por 1,9 milhões e espectadores. Isto é muito menor do que a audiência de um único episódio de programas de TV a cabo como “Mad Men” ou “The Walking Dead”.
“Argo”, 2012, outro competidor do Oscar, teve 7,6 milhões de espectadores durante o fim de semana. Se o interesse do público continuar ele poderá eventualmente empatar                 com a audiência de uma única noite de um episódio de “Glee”.
A fraqueza dos filmes têm múltiplas raízes.
Filmes, enquanto nas salas e exibição, sobrevivem atrás de uma bilheteria; televisão é grátis depois que a assinatura é paga a cada mês. E pelo menos desde a sofisticada série de TV “Os Sopranos” (The Sopranos), as demais aprenderam a segurar os espectadores em longas temporadas de desenvolvimento de seus personagens; filmes fazem o mesmo em franquias de fantasia como a série “Twilight”.
E o colapso das receitas de home vídeo, em parte por causa da pirataria, diminuíram os salários no cinema.                        A televisão, enquanto isso aumentou seus pagamentos, atraindo estrelas do cinema como Al Pacino, Dustin Hoffman, Laura Linney, Claire Danes e Sigourney Weaver.
A venda de ingressos para filmes de gênero como “Busca Implacável 2” (Taken 2, 2012) ou a comédia popular “Ted”, (Idem, 2012), do Sr. MacFarlane continua forte. E um novo público internacional, particularmente da China, deu novo fôlego à visibilidade de blockbusters como o “Os Vingadores” (Avengers, 2012) da Marvel ou “Batman, O Cavalheiro Das Trevas Ressurge”(Dark Knight Rises, 2012).
Mas o número de filmes realizados pelas divisões especiais dos principais estúdios, que apoiaram vencedores do Oscar como “Quem Quer Ser Um Milionário” (Slumdog Millionaire, 2008) da Fox Searchlight, caíram para 37 filmes no ano passado, 55% a menos que os 82 filmes de 2002 de acordo com a Motion Picture Association of America.
Este declínio deixa muitos espectadores desapontados.
“Eles ficam intrigados”, disse o crítico David Denby. “Estão um pouco perplexos”. Ele estava se referindo àqueles que aplaudiram seu argumento – ambos feitos num ensaio da revista New Republic, “Hollywood Matou Os Filmes?” (Has Hollywood Killed The Films?) e em um novo livro, “Os Filmes Têm Futuro?” (Do The Movies Have a Future?) – que a sobrevivência da força dos filmes dependerá da volta dos estúdios às produções mais modestas, mas poderosas em relevância cultural.
“Se não construírem seus futuros, cavarão suas próprias sepulturas”, o Sr. Denby disse.
Sr. MacFarlane; os produtores do Oscar, Craig Zadan e Neil Meron; e o presidente da Academia, Hawk Koch, declinaram através de uma portavoz da Academia, discutir os desafios de celebrar os filmes.
Alguns membros da Academia disseram privadamente que ficaram surpreendidos com a escolha do Sr. MacFarlane para mestre de cerimônias, no que parece ser um aceno aos telespectadores que se aglomeraram em torno do seus sucessos televisivos, notadamente “The Family Guy”.
Mas Henry Schafer, um vice-presidente executivo da Q-Scores Company, que mede a estatística popularidade das celebridades, disse que “Se a ideia é atrair o público jovem, eu penso que eles tomaram a medida correta”.
Ainda, Daniel Tosh, o âncora de “Tosh. O”, uma série de sucesso da Comedy Central apresentando vídeos toscos da internet e ridicularizando seus participantes, deu voz aos céticos: Depois de mostrar um clip de dois homens russos jogando uma granada ao redor de seu próprio barco e explodindo-a o Sr. Tosh sentenciou “É uma ideia melhor do que ter o Sr. MacFarlane como mestre de cerimônias do Oscar”.
A questão em torno do Sr. MacFarlane que dirigiu e emprestou sua voz à boca suja do ursinho “Ted”, (Idem, 2012) - sua principal contribuição ao filme - deixou a Academia coçando-se à procura de caminhos que tragam o público de volta para o tipo de filmes que ela tradicionalmente exalta. Seus membros, por exemplo, têm observado a possibilidade de angariar diretores que tenham realizados filmes ganhadores de prêmios de melhor filme para juntar-se à promoção de uma campanha nos cinemas. Em Los Angeles a Academia também está construindo um Museu do Cinema, uma vitrine para a mídia.
Separadamente, a National Association Of Theatre Owners (Associação Nacional dos Donos de Cinemas) recentemente fez uma enquete com relações públicas e consultores de propaganda para apresentar proposta de um projeto similar.
Membros do Conselho do Film Institute também têm procurado caminhos para promover um novo interesse nos filmes, disse Bob Gazzale, seu presidente. Sr. Gazzale disse ser muito cedo para discutir detalhes, mas outra pessoa elencada na iniciativa disse que o grupo tem considerado fatores tão distantes como aproximarem-se de políticos proeminentes – disse, Bill e Hillary Rodham Clinton – como supervisores de programas para premiações de filmes. A meta seria restabelecer a conexão com espectadores que mudaram suas direções culturais.
Em uma discussão na Colorado State University este mês, Allison Style, uma estudante de jornalismo, sugeriu que a Academia ajudou a quebrar a conexão entre sua geração e grandes os filmes em 2011 quando escolheu “O Discurso do Rei” (The King’s Speech, 2010) que olhava para trás, ao invés de “A Rede Social” (The Social Network, 2010), que olhava para frente.
“Então, o que aquilo significa para nós enquanto cultura?” A Sra. Style alertou para o vácuo que pode ocorrer se os melhores filmes forem embora.
O buraco, disse o Sr. Gazzale para quem a pergunta foi formulada, deve ser dos maiores.
“Os filmes nos recordam de nossos batimentos cardíacos comuns”, falou.
......................................................
Brooks Barnes contributed reporting.
Correction: October 30, 2012
Because of an editing error, an article on Monday about Hollywood’s efforts to restore cultural relevance to the movies described incorrectly the decline at the domestic box office last year. The decrease was in tickets sold, to 1.28 billion; it was not a decline in ticket sales revenue to $1.28 billion.
…………………………………………………………………………….
Para quem quiser ler o original:
http://www.nytimes.com/2012/10/29/movies/hollywood-seeks-to-slow-cultural-shift-to-tv.html?src=dayp




Nenhum comentário:

Postar um comentário

comente aqui